Medidas no valor de R$ 1 bilhão são anunciadas dias antes do Comitê Olímpico Internacional escolher sede de 2020

O governo japonês anunciou nesta terça-feira (3) que investirá US$ 470 milhões (R$ 1,1 bilhão) em um "muro de gelo" subterrâneo e em outras medidas em uma desesperada tentativa de parar os vazamentos de água radioativa da usina nuclear de Fukushima após repetidas falhas cometidas pela operadora da planta.

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Foto aérea mostra a usina nuclear de Fukushima Daiichi em Okuma, norte do Japão (31/8)
AP
Foto aérea mostra a usina nuclear de Fukushima Daiichi em Okuma, norte do Japão (31/8)

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A decisão é amplamente vista como uma tentativa de mostrar que o acidente naclear não será um problema em relação a segurança dias antes que o Comitê Olímpico Internacional (COI) escolherá entre Tóquio, Istambul e Madri como a sede dos Jogos de 2020 .

Centenas de toneladas de água subterrânea contaminada vazou da usina Fukushima Daiichi no mar desde pouco depois do terremoto seguido de tsunami de 2011 que danificou o complexo. Diversos vazamentos de tanques armazenando água contaminada nas últimas semanas aumentaram a sensação de que a proprietária da usina, a Tokyo Eletric Power Co. (Tepco) não é capaz de resolver o problema.

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"Em vez de deixar isso para a Tepco, o governo vai dar um passo a frente e assumir o controle", disse o primeiro-ministro Shinzo Abe após adotar o plano. "O mundo está observando se conseguimos lidar com a água contaminada de maneira adequada, mas também todo o desmantelamento da usina."

O governo planeja gastar estimados 47 bilhões de yen até o fim de março de 2015 em dois projetos - 32 bilhões de yen em um muro de gelo e 15 bilhões de yen em unidades de tratamento de água para remover todos os elementos radioativos - segundo a agência oficial de energia Tatsuya Shinkawa.

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O muro de gelo congelaria o solo a uma profundidade de mais de 30 metros através de um sistema elétrico de tubos finos que levam uma substância a uma temperatura de -40ºC. Isso impediria que a água contaminada escapasse dos arredores da usina, bem como bloquearia a entrada de água subterrânea no reator e nas turbinas das construções, onde grande parte da água radioativa está armazenada.

O projeto, que a Tepco e o governo propuseram em maio, está sendo testado por uma gigante construtora japonesa Kajima Corp. e deve ficar pronto em março de 2015.

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A Tepco vem bombeando água dentro dos reatores danificados para manter frio o combustível nuclear que derreteu quando o terremoto seguido de tsunami em 2011 danificou a usina e o seu sistema de refrigeração. A empresa construiu mais de mil tanques para armazenar 335 mil toneladas de água contaminada na usina, e a quantidade aumenta em 400 toneladas por dia. Alguns tanques apresentaram rachaduras, provocando o vazamento de água contaminada no solo.

O presidente da Autoridade de Regulação Nuclear Shunichi Tanaka afirmou diversas vezes que a água contaminada não pode ficar armazenada em tanques para sempre e, enventualmente, terá que ser liberada no mar após um processo de diluição, porém apenas com o consentimento local.

Com AP

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