Embaixador dos EUA se reúne com chanceler após denúncia de espionagem de Dilma

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Presidente realiza reunião com seus principais assessores diretos para tratar das denúncias de monitoramento

O Itamaraty convocou nesta segunda-feira (2) o embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, para prestar esclarecimentos sobre as denúncias de monitoramento das comunicações da presidente Dilma Rousseff por parte da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, sigla em inglês).

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Shannon se reuniu com o recém-nomeado ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado. O encontro, que durou menos de 30 minutos, aconteceu após as denúncias divulgadas por reportagem do Fantástico, da TV Globo, na noite de domingo (1º). O Itamaraty não divulgou detalhes do encontro.

Segundo a reportagem, Dilma e o presidente do México, Enrique Peña Nieto, foram alvo da espionagem dos EUA. As denúncias fizeram com que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se reunisse com Dilma no domingo para tratar sobre o assunto.

"Se forem comprovados os fatos, estamos diante de uma situação que é inadmissível, inaceitável. Eles qualificam uma clara violência à soberania do nosso País", disse Cardozo à TV Globo. "O Brasil cumpre fielmente com suas obrigações e gostaria que todos os seus parceiros também as cumprissem e respeitassem aquilo que é muito caro para um país, que é a soberania."

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Nesta segunda-feira, Dilma convocou uma reunião com seus principais assessores diretos no Palácio do Planalto. O ministro chefe da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, ao abrir o 4º Fórum Interconselhos do Plano Plurianual (PPA), justificou que não poderia permanecer no encontro porque foi convocado para uma reunião com a presidente Dilma.

"Estamos em uma situação de emergência por causa dessas denúncias de espionagem", afirmou o ministro. Ele ressalvou, no entanto, que não sabia se esse era o assunto do encontro, mas que estava sendo convocado pela presidente para uma reunião.

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Questionado pela imprensa, o ministro evitou fazer comentários e alegou pressa para ir para o encontro com Dilma. Além de Carvalho, participaram da reunião o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; o ministro da Defesa, Celso Amorim; e ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Após o encontro com Shannon, Figueiredo Machado também se dirigiu à reunião ministerial. 

A denúncia

A reportagem da TV Globo diz ter conseguido documentos secretos junto ao ex-contratado da NSA Edward Snowden que comprovariam a existência do monitoramento. Snowden foi o responsável por denunciar, em junho deste ano, um extenso programa de monitoramento de dados de telefone e de internet pelo governo americano dentro e fora do país.

Denúncias pelo vazamento de Snowden:
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Os documentos foram fornecidos ao programa Fantástico pelo americano Glenn Greenwald, o primeiro jornalista a revelar o esquema de espionagem eletrônica. Ele mora com seu parceiro, o brasileiro David Miranda, no Rio de Janeiro. Segundo Greenwald, que foi coautor da reportagem, a informação sobre o monitoramento de Dilma e Peña Nieto consta em uma apresentação interna da NSA.

A apresentação revela que os EUA espionaram as comunicações de Dilma e Peña Nieto com seus principais assessores. No documento, datado de junho de 2012, a NSA explica como monitorou os dois presidentes, diz a reportagem.

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Em um dos slides, sob o título "mensagens interessantes", aparecem duas mensagens de texto de celular supostamente enviadas por Penã Nieto. Em uma delas, ele diz quem seriam dois de seus ministros caso vencesse as eleições presidenciais mexicanas.

Logo em seguida, há uma explicação sobre como Dilma teria sido monitorada. A apresentação não mostra, entretanto, exemplos de mensagens ou chamadas telefônicas entre a presidente e seus assessores, acrescenta a reportagem.

Mas no último slide da apresentação a NSA diz que o método de monitoramento é "uma filtragem simples e eficiente que permite obter dados que não estariam disponíveis de outra maneira. E isso pode ser usado de novo".

A reportagem também diz ter recebido um segundo documento que diz que a NSA tem um departamento internacional encarregado de espionar Japão, Brasil, Turquia e a Europa Ocidental. Um terceiro documento, também fornecido ao Fantástico, lista os desafios geopolíticos que serão enfrentados pelos EUA de 2014 a 2019.

Em um tópico chamado "Amigos, inimigos ou problemas?", o Brasil aparece novamente, junto do Egito, Índia, Irã, Turquia e México.

Com informações de Luciana Lima, iG Brasília; Reuters; BBC e Agência Estado

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