Líderes da América do Sul condenam possível ataque dos EUA à Síria

Por Reuters | - Atualizada às

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Líderes da Unasul se reuniram na sexta no Suriname; Dilma discutiu com Evo caso de senador que fugiu para o Brasil

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Reunidos na sexta-feira no Suriname para a cúpula da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), os presidentes do grupo prepararam uma firme condenação à possível intervenção militar dos Estados Unidos e de seus aliados na Síria em retaliação ao suposto uso de armas químicas contra civis.

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Planalto
Presidenta Dilma Rousseff após encontro bilateral com o Presidente da Bolívia, Evo Morales em Paramaribo, Suriname (30/8)

Os EUA dizem ter fortes indícios de que forças governamentais sírias lançaram um ataque com gás contra subúrbios de Damasco dominados por rebeldes, matando 1.429 pessoas, sendo 426 crianças. A França também se mostra inclinada por uma ação militar juntamente com Washington.

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"Tomara que dessa cúpula saia uma declaração clara, frontal, sem medo. Ninguém quer uma ditadura nem atentar contra direitos humanos", disse o presidente equatoriano, Rafael Correa, ao chegar a Paramaribo. Os governos de Brasil, Argentina, Equador e Venezuela já manifestaram nesta semana seu rechaço à possível intervenção.

Em uma reunião preparatória para a cúpula, os chanceleres do bloco regional tiveram divergências sobre uma declaração conjunta, mas conseguiram preparar um texto para os presidentes da região, entre os quais há vários esquerdistas que se contrapõem habitualmente aos EUA.

"Independentemente de sair uma resolução, nós, aqui na América do Sul, vamos dizer nossa posição: paz, paz e mais paz", disse o presidente socialista da Venezuela, Nicolás Maduro, que prometeu enviar uma carta ao seu colega norte-americano, Barack Obama, pedindo que ele evite o ataque.

Regresso Paraguaio

A sétima cúpula de chefes de Estado da Unasul marca também a estreia internacional do novo presidente paraguaio, Horacio Cartes, e o regresso do país ao fórum regional após mais de um ano de isolamento.

Embora não haja previsão de um encontro bilateral, os meios de comunicação paraguaios dizem que é possível uma reunião "espontânea" entre Cartes e Maduro. O governo paraguaio que antecedeu a Cartes havia declarado o venezuelano como "persona non grata".

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O conservador Cartes, que tomou posse em 15 de agosto, não convidou Maduro para a cerimônia, apesar de Caracas manifestar o desejo de regularização das relações bilaterais, suspensas depois do sumário processo de impeachment que depôs o presidente socialista Fernando Lugo em junho de 2012.

Por causa disso, o Paraguai acabou sendo temporariamente excluído da Unasul e do Mercosul, porque os dois blocos entenderam a destituição de Lugo como uma quebra da normalidade democrática. As restrições foram suspensas com a posse de Cartes, um rico empresário eleito em abril.

A presidente Dilma Rousseff e o boliviano Evo Morales também aproveitaram a ida ao Suriname para discutir em particular o impasse causado pela recente fuga para o Brasil do senador boliviano Roger Pinto Molina, acusado de corrupção na Bolívia.

Encontro no Suriname: Dilma e Evo Morales discutem fuga de senador boliviano

Pinto Molina, que passou mais de um ano refugiado na Embaixada do Brasil em La Paz, fugiu para o País em uma operação organizada por um diplomata brasileiro, à revelia de Brasília. O governo boliviano se queixou ao Brasil pelo episódio, que acabou resultando na demissão de Antonio Patriota do cargo de chanceler.

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"Nenhum governo pode encobrir, nem proteger, nem defender corruptos. Sinto que alguns grupos no Brasil querem nos confrontar com a companheira Dilma, mas não vão conseguir", disse Evo em coletiva. "Desde o governo do companheiro Lula tantos problemas resolvemos, e vamos buscar esse caminho (com Dilma)", acrescentou.

Também participaram da cúpula o presidente do Peru, Ollanta Humala, o anfitrião Dési Bouterse e o mandatário da Guiana, Donald Ramotar.

Os presidentes de Argentina, Cristina Kirchner; do Chile, Sebastián Piñera; da Colômbia, Juan Manuel Santos; e do Uruguai, José Mujica, não participaram, mas foram representados por seus chanceleres ou vice-presidentes.

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