Presidente da Colômbia convoca soldados para patrulhar Bogotá após protestos

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Marchas em apoio a agricultores se tornaram violentas e deixaram ao menos dois mortos na capital na quinta-feira

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, determinou nesta sexta-feira que as Forças Armadas tenham uma presença mais forte e visível em Bogotá, após protestos violentos na capital terem deixado dois mortos.

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Santos disse que, "para assegurar a normalidade, ordenei a militarização de Bogotá", acrescentando: "É inaceitável, inaceitável que as ações de poucos atinjam a vida da maioria". As declarações foram feitas em discurso pela manhã, após reunião com ministros realizada no palácio presidencial na noite passada.

A capital boliviana está pacífica nesta sexta, com nenhum relato de distúrbios. O líder colombiano não disse quantos soldados estariam nas ruas nem por quanto tempo. Mais de 14 mil militares estão estacionados na capital.

Autoridades da cidade disseram que a polícia continuaria encarregada de mater a ordem, com nenhuma suspensão das liberdades civis. O chefe de gabinete de Bogotá, Jorge Rojas, disse que a capital permanecia "sob controle civil".


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O ex-prefeito de Bogotá Jaime Castro disse que a medida não significava que os soldados "poderiam conduzir buscas ou qualquer coisa do tipo". Ele lembrou que ela já havia sido usada no passado, depois de a explosão criminosa de um clube social de elite ter deixado 36 mortos.

Violence aconteceu na tarde de quinta, depois que cerca de 30 mil estudantes universitários e outros marcharam de forma pacífica em apoio a um protesto de dez dias de pequenos produtores agrícolas.

Jovens mascarados começaram a jogar pedras e tijolos e entraram em confronto com a polícia enquanto ela disparava gás lacrimogêno. Vidros de lojas foram quebrados durantes os choques, que também deixaram ao menos dois mortos. Em reação à violência, foi decretado um toque de recolher em três áreas densamente povoadas da capital durante a noite para impedir novos protestos.

A violência de rua foi a pior desde março de 2012, quando protestos contra o problemático sistema de transportes municipal foram manchados por vândalos.

O presidente também disse que 50 mil oficiais militares ajudariam a fazer o policiamento ao longo de estradas que foram intermitentemente bloqueadas por agricultores e caminhoneiros que reivindicam menores preços para fertilizantes e combustíveis.

Os confrontos de quinta acontecem em meio a negociações de paz em Cuba entre o governo e o principal grupo rebelde de esquerda do país, as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), para pôr fim a meio século de um conflito que afeta mais províncias remotas distantes da capital

Privadamente, autoridades disseram acreditar que os extremistas de esquerda estavam envolvidos no tumultos de quinta, e Santos sugeriu um vínculos. "Não há dúvidas de que há pessoas ou grupos que não querem nenhum acordo", afirmou. "Tais pessoas", disse, "apenas querem defender sua agenda política ou causar desestabilização".

*Com AP e Reuters

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