Paquistão anula sentença de médico que ajudou a encontrar Bin Laden

Por Reuters |

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Justiça ordena novo julgamento, alegando que funcionário judicial excedeu autoridade ao proferir a sentença em 2012

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O médico paquistanês Shakil Afridi, que ajudou a CIA a achar Bin Laden (09/07/2010)

Uma autoridade judicial do Paquistão anulou nesta quinta-feira a sentença de prisão de 33 anos dada a Shakil Afridi, o médico que ajudou agentes da CIA na caçada ao ex-líder da Al-Qaeda Osama bin Laden, morto em 2011.

2012: Paquistão condena médico que ajudou CIA a achar Bin Laden

Justificativa: Paquistão condenou médico por ajudar militância, e não CIA

Autoridades americanas saudaram Afridi como um herói por ajudar a localizar Bin Laden antes da ação secreta de maio de 2011, em que forças especiais dos EUA invadiram uma casa em Abbottabad, no Paquistão, depois de mais de uma década de buscas.

A autoridade judicial Sahibzada Mohammad Anees ordenou um novo julgamento, alegando que outro funcionário da Justiça havia excedido sua autoridade ao proferir a sentença no ano passado. Afridi permanece sob custódia.

"O agente político assistente não tem autoridade para ordenar 33 anos de prisão ao dr. Shakil Afridi", disse o juiz por escrito. "O agente político assistente desempenhou o papel de um magistrado para o qual não foi autorizado."

Entrevista: Médico que ajudou na caçada a Bin Laden fala de dentro da prisão

Um agente político e seu assistente são representantes do governo paquistanês nas áreas tribais que não são abarcadas pelo sistema judicial do país.

A sentença de Afridi prejudicou ainda mais os laços entre o Paquistão e os EUA, quando a relação entre os países já estavam tensas por causa do ataque contra Bin Laden. Senadores dos EUA retiraram simbolicamente os US$ 33 milhões de ajuda ao Paquistão em retaliação.

As relações desde então têm melhorado lentamente, mas ainda há muita desconfiança residual de ambos os lados.

Afridi foi acusado de comandar uma campanha de vacinação falsa, na qual coletou amostras de DNA que teriam ajudado a agência de inteligência americana a localizar Bin Laden.

Autoridades paquistanesas disseram inicialmente que Afridi seria julgado por traição por ajudar os EUA, mas os documentos judiciais mostram que ele foi preso por ser membro do grupo militante Lashkar-e-Islam. Afridi negou as acusações, e um porta-voz do grupo disse que não tinha nenhuma relação com o médico.

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