Diplomata que trouxe senador boliviano ao Brasil é removido de cargo

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Marcel Fortuna Biato, que na terça perdeu indicação para ocupar embaixada na Suécia, também é retirado de posto

Reuters
O senador da oposição da Bolívia Roger Pinto Molina (foto de arquivo)

O ex-embaixador do Brasil na Bolívia Marcel Fortuna Biato e o ex-encarregado de Negócios no país Eduardo Paes Saboia foram retirados dos postos por determinação do Ministério das Relações Exteriores. O Diário Oficial da União publica a portaria em sua edição desta quinta-feira (29). A remoção dos diplomatas ocorre no momento em que há uma crise causada pela retirada do senador boliviano Roger Pinto Molina de La Paz, a capital. Agora, eles vão trabalhar na sede do Itamaraty, em Brasília.

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O novo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, havia dito na quarta, quando foi empossado no cargo, que Marcel Biato vai trabalhar no Brasil, mas não informou em que função. Na terça, a Presidência da República retirou a indicação de Biato para ser o novo embaixador do Brasil na Suécia.

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Saboia é alvo de uma comissão de sindicância, formada por um auditor fiscal e dois embaixadores que apuram sua atuação no caso de Pinto Molina. Já Marcel Biato era o embaixador do País na Bolívia e estava de férias desde 17 de agosto.

O Palácio do Planalto acredita que Biato tem envolvimento no caso, apesar de não estar na embaixada quando Pinto Molina foi retirado por Saboia. De qualquer forma, mesmo que ele não tenha relação direta com a fuga, a presidente Dilma Rousseff o culpa por ter autorizado a entrada do senador no ano passado sem ter consultado o Itamaraty.

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A crise causada pela retirada de Pinto Molina da Bolívia, provocada pela decisão de Saboia de coordenar a saída do boliviano da embaixada brasileira, onde ficou por quase 15 meses, desencadeou a substituição do ex-chanceler Antonio Patriota por Figueiredo. Para setores do governo, a iniciativa de Saboia indicou quebra de hierarquia e desrespeito às instâncias superiores do Itamaraty.

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Saboia, porém, disse ter tomado a iniciativa porque o quadro se agravava com o fato de o senador boliviano estar deprimido e indicar que pretendia se suicidar. O diplomata disse que tomou a decisão por razões humanitárias.

Saboia pode ser alvo de uma série de punições que podem ir de uma simples advertência oral, passando por uma escrita, suspensão temporária e até exoneração da carreira. Com mais de 20 anos de carreira, o diplomata é elogiado por superiores e colegas, como um profissional sério, dedicado e disciplinado. Nos últimos meses, ele se queixava da tensão causada pela indefinição sobre Molina.

*Com Agência Brasil e Agência Estado

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