Informação é do senador Ricardo Ferraço, que viajou com opositor de líder boliviano a Brasília no fim de semana

O senador boliviano Roger Pinto Molina cancelou a coletiva que concederia na tarde desta terça-feira às 15 horas na Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal. O presidente da comissão, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), disse ao iG que o cancelamento foi informado por meio de email pelo advogado do senador boliviano, Fernando Tibúrcio Peña.

Sábado: Senador boliviano que vivia em embaixada em La Paz está no Brasil

Ministra: Bolivianos não sugeriram fuga de senador ao Brasil

Senador boliviano Roger Pinto Molina acena de casa onde está abrigado em Brasília (26/8)
Agência Brasil
Senador boliviano Roger Pinto Molina acena de casa onde está abrigado em Brasília (26/8)

Reação: Bolívia cobra explicações do Brasil sobre caso de senador Molina

Processo longo:  Bolívia estuda pedir ao Brasil extradição de senador

O advogado, segundo o texto, agradeceu o espaço, mas disse querer preservar o cliente neste momento. “Em face dos acontecimentos, como ele está na condição de asilado e não de refugiado, ele decidiu preservar o senador. Quando a gente disponibilizou o espaço, foi para que ele pudesse esclarecer, conversar com a opinião pública. É compreensível”, afirmou.

Líder do partido de oposição Convergência Nacional, Molina é denunciado em pelo menos 20 processos por desacato, venda de bens do Estado e corrupção. Há 15 meses, ele refugiou-se na Embaixada do Brasil em La Paz alegando ser perseguido político, depois de fazer denúncias de corrupção contra o governo Evo Morales. O governo brasileiro lhe concedeu asilo em maio de 2012, mas, para sair do país, o senador precisaria de um salvo-conduto (autorização) – que o governo boliviano negou.

Maio: Sem salvo-conduto, boliviano completa um ano em embaixada brasileira

Depois de passar 454 dias na embaixada brasileira, Pinto Molina chegou a Corumbá (MS) no sábado . Para chegar lá, ele teve de fazer uma viagem de 22 horas em um carro da embaixada do Brasil, escoltado por fuzileiros navais. Eduardo Saboia , encarregado de negócios na Embaixada do Brasil em La Paz, assumiu a responsabilidade pela operação. Após cruzar a fronteira, Ferraço foi buscá-lo em um avião em Corumbá para levá-lo a Brasília.

Auxílio: Senador boliviano entrou no Brasil com ajuda do diplomata Saboia

Ferraço disse que também ofereceu espaço na comissão para que Saboia conversasse com os parlamentares e a imprensa sobre suas decisões. Saboia, porém, não confirmou se participará de qualquer evento. O presidente da comissão acredita que ele também quer se preservar neste momento.

Filha: Senador boliviano enfrentava depressão grave e 'restrições'

“Meu papel é apoiar as boas causas. De encontrar alternativas para um asilado politico ou defender um diplomata comprometido com os direitos humanos. O espaço está aberto”, diz.

Após fuga de boliviano: Ministro das Relações Exteriores deixa o governo

O mal-estar desencadeado pela fuga do senador ao Brasil, supostamente sem conhecimento do Ministério de Relações Exteriores (Itamaraty), causou a saída do chanceler Antonio Patriota do governo na segunda.

*Com informações da Agência Brasil

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.