No Brasil, senador boliviano se diz ansioso para rever família e lê a tarde toda

Por Priscilla Borges - iG Brasília | - Atualizada às

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Advogados tentam preservar de assédio Pinto Molina, que está hospedado no Lago Norte desde sua chegada ao País

O senador boliviano Roger Pinto Molina, 53 anos, que estava asilado na Embaixada do Brasil em La Paz, Bolívia, e fugiu para o Brasil entre sexta e sábado, está ansioso para rever a família. Hospedado em uma casa no Lago Norte, área nobre da capital federal, o senador mantém os mesmos hábitos de quando estava confinado na embaixada. Lê o dia todo e não recebe visitas. Os advogados dizem querer preservá-lo do assédio, que é intenso desde sua chegada.

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Agência Brasil
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Quem encontrou com Molina desde que ele saiu do confinamento na Bolívia diz que o cansaço estampado no rosto abatido do boliviano já diminuiu. Mais tranquilo desde a viagem, que durou 22 horas de carro entre La Paz e Corumbá (MS), ele já come “muito bem” e dorme bem na casa dos advogados, que fica em frente ao Lago Paranoá, um dos cartões-postais da cidade. O clima é quase de um “spa”, segundo um advogado da equipe de Fernando Tibúrcio Penã, responsável pelo caso.

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Além de passear um pouco pelo jardim, Molina tem lido muito. Hábito comum no asilo de 452 dias em que ficou na embaixada boliviana. À frente da casa ele quase não aparece, porque há repórteres o dia todo. Visitas também são raras segundo o advogado. O senador está ansioso para rever a família (a mulher e três filhas moram em Basileia, no Acre), com a qual só falou por meio de videochamadas.

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O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que acompanhou Molina de Corumbá a Brasília, conta que o boliviano parecia aéreo quando o encontrou. “Ele combina momentos de tristeza, por ter tido de abandonar seu país nessas condições, e de euforia, por ter conquistado a liberdade. A sensação é de que a ficha ainda não caiu”, conta. Ferraço diz acreditar que, apesar de tudo, o senador boliviano está aliviado por ter chegado ao País.

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“Foram 450 dias de indiferença (do governo brasileiro) com um problema extremamente complexo”, comenta Ferraço. De acordo com ele, que conversou com o diplomata responsável pela guarda do asilado na Bolívia, Eduardo Saboia, o estado de saúde do boliviano era “de deterioração e profunda depressão” algumas vezes durante o período do asilo.

Calmantes e repouso

Segundo os advogados, Molina está tomando calmantes, e uma estratégia de tratamento está sendo definida, já que querem evitar as saídas do senador boliviano por conta do assédio. As recomendações dos médicos que já o visitaram é alimentação balanceada, muito repouso e evitar situações de estresse. Nesta terça, o advogado de Molina cancelou a coletiva que ele daria na Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal.

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Ferraço diz estar convencido de que a decisão de Saboia em trazer o senador boliviano foi correta. “Foi uma decisão tocada pelo espírito de solidariedade humana, por não conseguir mais conviver com aquela situação”, diz.

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