Ministra nega que autoridades da Bolívia sugeriram fuga de senador ao Brasil

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Entrada no País de político procurado por corrupção causou a queda do chanceler Antonio Patriota na segunda

A ministra da Comunicaçõa da Bolívia, Amanda Davila, negou versões que circulam em Brasília de que setores do governo boliviano teriam sugerido aos diplomatas brasileiros em La Paz terminar com o impasse relacionado ao senador Roger Pinto Molina, levando-o ao Brasil por conta e risco próprios - mas com a garantia de que não seriam interceptados por autoridades da Bolívia.

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Agência Brasil
Senador boliviano Roger Pinto Molina acena de casa onde está abrigado em Brasília (26/8)

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“Impossível. O senador está sendo buscado pela Justica para prestar depoimento sobre eventual participação no massacre de Pando”, disse, referindo-se à morte de 13 indígenas em 2008.

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A versão de que a fuga teria sido proposta por autoridades bolivianas foi dada pelo encarregado de negócios da Embaixada do Brasil em La Paz, Eduardo Saboia, em entrevista à TV Globo. Foi ele quem se responsabilizou pela operação que resultou na saída de Pinto Molina da Bolívia e na queda do chanceler Antônio Patriota .

“Soubemos da saída de Patriota pela imprensa e preferimos esperar as informações do governo brasileiro sobre esse episódio, que violou as normas da Bolívia, do Brasil e internacionais”, disse Davila em entrevista por telefone à Agência Brasil na segunda-feira (26).

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O ministro da Defesa da Bolívia, Ruben Saavedra, também enfatizou que seu país ainda espera uma explicação oficial do Brasil sobre o caso. “Para tomar as providências que correspondam ao que determina o direito internacional”, disse.

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Líder do partido de oposição Convergência Nacional, Molina é denunciado em pelo menos 20 processos por desacato, venda de bens do Estado e corrupção. Ha 15 meses, ele refugiou-se na embaixada em La Paz alegando ser perseguido político, depois de fazer denúncias de corrupção contra o governo Evo Morales. O governo brasileiro lhe concedeu asilo diplomático  em maio de 2012, mas, para sair do país, o senador precisaria de um salvo-conduto (autorização) – que o governo boliviano negou.

Segundo ela, Molina só recebeu asilo na embaixada brasileira porque o então embaixador Marcel Biato e o encarregado de negócios Saboia “deram ao governo de Dilma Rousseff uma informação incompleta” sobre a situação do senador, “que conta com o apoio de forças políticas e conservadoras na Bolívia e no Brasil”.

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Depois de passar 454 dias trancado na embaixada brasileira, Pinto Molina chegou a Corumbá (MS) no sábado (24). Para chegar lá, ele teve de fazer uma viagem de 22 horas, em um carro da embaixada do Brasil, escoltado por fuzileiros navais. Segundo o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, ao cruzar a fronteira boliviana, foi recebido por agentes da Policia Federal e seguiu para Brasília de avião.

Saboia - que estava como encarregado de negócios na embaixada em La Paz depois da saída de Biato - assumiu a responsabilidade pela operação. Ele disse que tomou a decisão de tirar o senador do país porque “havia risco iminente à vida” dele. Molina – que há mais de um ano vivia em espaço de 20 metros quadrados, longe da mulher, dos três filhos e quatro netos - já teria ameaçado suicidar-se.

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“Achamos estranho que ele estivesse correndo risco de vida e estivesse em condições de viajar de carro, encontrar-se com amigos e fazer declarações à imprensa”, disse Davila. “Devo agradecer, uma vez mais, às autoridades do Brasil”, disse o senador ao chegar em Brasília, onde ficou hospedado na casa do senador Ferraço.

Para Davila, o caso de Pinto Molina não é comparável ao do australiano Julian Assange , fundador do site Wikileaks , que revelou documentos secretos de mais de um governo. Ele pediu asilo político ao Equador e está na Embaixada do Equador em Londres desde 19 de junho de 2012. O governo britânico nega o salvo-conduto porque Assange é buscado pela Justiça sueca para responder a acusações de agressão sexual .

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“No caso de Assange, é óbvio que as acusações foram pretexto para prendê-lo e fazê-lo calar. Ninguém resolve dizer que foi estuprado cinco anos depois”, disse Davila. Ela prefere comparar o caso de Molina ao do ex-ditador boliviano Luis Garcia Meza, que fugiu para o Brasil. Acusado de violações de direitos humanos e tráfico de drogas, ele foi extraditado para a Bolivia em 1995 e condenado a 30 anos de cadeia.

Vias diplomáticas

Após a saída de Antonio Patriota do Ministério das Relações Exteriores, o ministro da Defesa da Bolívia disse que a expectativa do governo Evo é resolver pelo “caminho diplomático” o impasse criado com a fuga de Molina.

Em entrevista ao canal estatal de televisão, o ministro insistiu que o governo da Bolívia quer que Pinto Molina responda por seus crimes. “O governo boliviano está com a maior boa vontade para esclarecer todos os fatos. Mas vamos tentar trabalhar para que Molina regresse ao país e responda na Justiça por seus delitos”, ressaltou.

*Com Agência Brasil

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