Bolívia estuda pedir ao Brasil extradição de senador; processo deve ser longo

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Pinto Molina chegou ao Brasil no sábado, após deixar sem salvo-conduto La Paz com ajuda de diplomata brasileiro

O Ministério Público da Bolívia estuda pedir a extradição do senador Roger Pinto Molina, disse na segunda-feira o procurador-geral interino da Bolívia, Roberto Ramirez.

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Agência Brasil
Senador boliviano Roger Pinto Molina acena de casa onde está abrigado em Brasília (26/8)

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De acordo com a Agencia Boliviana de Información (ABI), Ramirez disse que, "como Ministério Público, estamos atualmente analisando tudo o que se refere à normativa internacional e à normativa nacional para ver quais são as opções". Molina responde a vários processos na Bolívia por suspeita de corrupção.

Em entrevista à Agência Brasil no domingo, Pinto Molina negou as acusações. Ele disse ser vítima de perseguição política, por fazer oposição ao governo do presidente Evo Morales, e negou haver qualquer tipo de prova contra ele na Justiça.

O senador boliviano, que é opositor do presidente Evo Morales, ficou abrigado por 15 meses na embaixada brasileira na Bolívia desde que pediu asilo ao Brasil. O salvo-conduto era negado pelas autoridades bolivianas que alegam que o parlamentar responde a processos judiciais no país.

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Na sexta (23), o parlamentar deixou a embaixada com o auxílio da representação diplomática brasileira. O boliviano chegou no sábado ao País por Corumbá (MS), onde se encontrou com o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES). Os dois voaram em seguida para Brasília.

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O embaixador da Bolívia no Brasil, Jerjes Justiniano Talavera, pediu explicações ao Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, sobre a retirada do senador boliviano da representação diplomática brasileira em La Paz e a viagem dele a Brasília.

Em nota, o Itamaraty informou que abrirá um inquerito para apurar as circunstâncias da entrada no Brasil do senador boliviano. O diplomata Eduardo Saboia, apontado como principal responsável pela retirada do senador, foi chamado para prestar informações sobre o caso, que causou a queda do chanceler brasileiro, Antonio Patriota, na segunda.

Processo longo

Um eventual pedido de extradição feito pelo Ministério Público da Bolívia deve levar a um processo relativamente longo até ser julgado no Brasil. Pelo rito que envolve o tema, o pedido tem de ser encaminhado pela Justiça da Bolívia à Embaixada do Brasil em La Paz (a capital), que o envia para a representação diplomática boliviana em Brasília. Depois, segue para o Superior Tribunal de Justiça, que julga pedidos de extradição.

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Mas a situação do senador boliviano é considerada atípica. É que o atual status do boliviano é de asilado diplomático e não político. A diferença é que, no caso do asilo diplomático, ele é concedido quando a pessoa está em território brasileiro (no caso de Molina era a embaixada brasileira).

*Com Agência Brasil

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