Sem direito à condicional, Bales foi condenado por uma das piores atrocidades das guerras do Iraque e Afeganistão

Robert Bales (à esquerda) em foto tirada em agosto de 2011 durante treinamento em Fort Irwin, na Califórnia
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Robert Bales (à esquerda) em foto tirada em agosto de 2011 durante treinamento em Fort Irwin, na Califórnia

O soldado dos EUA Robert Bales foi sentenciado nesta sexta-feira à prisão perpétua sem direito à liberdade condicional pelo massacre de 16 civis afegãos no anos passado, uma das piores atrocidades das guerras do Iraque e do Afeganistão.

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Um júri militar anunciou a sentença horas depois dos argumentos finais, com promotores dizendo que as próprias palavras de Bales provaram que ele sabia o que fazia quando lançou o ataque antes do amanhecer em março de 2012.

Bales, 40, declarou-se culpado em junho em um acordo para evitar a pena de morte. Ele prestou testemunho na quinta e perdiu desculpas pelo massacre, descrevendo-o como um ato de covardia.

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Bales, pai de dois, cumpria seu quarto serviço de combate quando deixou seu posto no Campo Belambay, na Província de Kandahar, no meio da noite para atacar duas vilas.

Argumentando que Bales não deveria receber o direito à condicional, o promotor Jay Morse mostrou aos jurados fotos de uma garota que foi morta enquanto gritava e chorava. Ele mostrou vídeos de câmeras de segurança em que Bales aparece retornando à sua base com "a confiança metódica de um homem que cumpriu sua missão".

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A advogada de defesa Emma Scanlan disse que ninguém pode atenuar as atrocidades que Bales cometeu, mas conclamou os jurados a considerar seu serviço militar prévio e deixá-lo como uma "chance de luz" - uma perpétua com a possibilidade de condicional depois de 20 anos.

Homem chora ao mostrar corpos de civis mortos em Panjwai, no Afeganistão (11/03)
AFP
Homem chora ao mostrar corpos de civis mortos em Panjwai, no Afeganistão (11/03)

Vários sobreviventes e parentes das vítimas viajaram aos EUA para prestar testemunho nesta semana, e um amaldiçoou Bales por atacar os moradores enquanto dormiam ou suplicavam por misericórdia.

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"Se alguém perde um filho, você pode imaginar quão devastada sua vida ficaria", disse Haji Mohammad Wazir, que perdeu 11 parentes, incluindo sua mãe, mulher e seis de sete filhos.

*Com AP

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