Deposta com Morsi, Irmandade Muçulmana surgiu em resposta a rei farrista egípcio

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel |

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Criado em 1928, grupo islâmico queria purificar Egito de debochado Faruk, que preferia farras de Paris a governar

A Irmandade Muçulmana, criada em 1928, tem como seu programa principal transformar o Egito e todo mundo árabe em um califato islâmico. A ideologia surgiu com o Egito governado por um rei debochado. Faruk preferia as farras de Paris a governar, mas era protegido pelos ingleses. A Irmandade veio para tentar purificar o país e viveu na ilegalidade até a Primavera Árabe. Na verdade, ainda não existe um estudo satisfatório do que aconteceu durante o governo de Hosni Mubarak (1981-2011). As gigantescas manifestações de rua ainda continuam.

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AP
Partidários do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak seguram seu pôrter em frente de prisão onde ele era mantido no Cairo (22/8)

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A Irmandade Muçulmana sempre lutou pela implantação da sharia, código de leis a ser obedecido em todos os momentos do dia pelos islâmicos. Os homens fortes que governavam o Egito com forte apoio inglês tornaram possível a multiplicação de egípcios de vida secular. O Cairo, sob as monarquias e ditaduras, era um paraíso turístico. Vinha gente de todos os cantos para ver as pirâmides e esfinges, além de seus museus, com a incrível riqueza de faraós. O turismo representava uma das principais receitas do país. Estima-se que cerca de metade dos egípcios desejaria a sharia como lei do Estado. A outra metade quer a região aplicada sem exageros, com o povo sabendo receber o visitante.

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O atual governo interino apoiado pelos militares enfrenta os partidários da Irmandade, cuja liderança viu na revolta atual a oportunidade de voltar ao poder após a deposição do islamita Mohammed Morsi pelo Exército em 3 de julho. Não se entende ainda o suficiente do ambiente do país, da divisão da população entre islamitas fanáticos e seculares. O governo interino, não eleito, insiste que a Irmandade tenta tomar o poder e resiste com todos os meios possíveis.

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Enquanto isso o Sinai, deserto com aproximadamente 61 mil quilômetros e fronteiras com Israel, chegando às margens do Canal de Suez, revelou-se um centro de terrorismo da Al-Qaeda e de outros grupos jihadistas fanáticos. O Exército do governo os vem enfrentando com perdas de ambos os lados. Há dias, um desses grupos aprisionou 25 policiais egípcios e os massacrou.

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Por enquanto, o rei Abdullah, da Arábia Saudita, e alguns monarcas de pequenos reinados do Golfo Arábico encaminham substancial ajuda ao governo egípcio, porque não é de interesse de nenhum país da região ver o Egito com um governo fanático islâmico, sendo exemplo para os outros países. A Irmandade tem contatos com organizações semelhantes em toda a região. Seria uma ameaça à monaquia jordaniana, a Israel e aos interesses ocidentais em toda a área.

Veja imagens de massacre no Egito no dia 15:

Egípcios choram perto de corpos de parentes na mesquita de El-Iman, em Nasr City, Cairo (15/8). Foto: APEgípcios choram sobre corpos de parentes mortos em repressão militar no dia anterior no Cairo (15/8). Foto: APEgípcios velam os corpos de seus parentes e amigos na mesquita El-Iman em Nasr City, Cairo (15/8). Foto: APHomem caminha do lado de fora da mesquita Rabaa Adawiya um dia depois de uma ação violenta da polícia egípcia no Cairo. Foto: APHomem segura corpo de partidário de Mohammed Morsi em mesquita de Nasr City, no Egito (15/8). Foto: APPartidários feridos do presidente deposto Mohammed Morsi são vistos deitados em hospital improvisado no distrito de Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APPartidário do presidente deposto Mohammed Morsi pega madeira para transformá-la em uma barricada em chamas na praça Rabaa Al-Adawiya, no Cairo (14/8)
. Foto: APPartidário ferido do líder deposto Mohammed Morsi é visto no chão enquanto forças de segurança desmontavam acampamento de protesto perto da Universidade do Cairo (14/8). Foto: APMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de Mohammed Morsi fogem do gás lacrimogêneo durante confrontos em praça que leva à praça Rabba el-Adwia, Cairo (14/8). Foto: ReutersPartidários do presidente deposto  Mohammed Morsi carregam manifestante ferido durante confrontos com a polícia e o Exército na área da praça Rabaa Adawiya, Cairo (14/8)
. Foto: ReutersPartidários do presidente deposto  Mohammed Morsi carregam manifestante ferido durante confrontos com a polícia e o Exército na área da praça Rabaa Adawiya, Cairo (14/8). Foto: ReutersDois meninos abraçam partidário do presidente Mohammed Morsi, enquanto policiais removiam acampamento perto da Universidade de Giza, no Egito (14/8). Foto: APCorpos de partidários do presidente deposto Mohammed Morsi são vistos no chão de hospital improvisado no distrito de Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APForça de segurança do Egito chuta partidário do presidente deposto Mohammed Morsi ao desmontar acampamento de protesto perto de universidade no Cairo (14/3). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi fogem de forças de segurança que disparavam contra eles durante confrontos no distrito de Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APPartidário de Mohammed Morsi se senta próximo à mulher morta enquanto forças de segurança do Egito removiam acampamento perto da Universidade Giza, no Cairo (14/8). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto com forças de segurança no distrito de Nasr City, no Cairo (14/8). Foto: APPartidário de Mohammed Morsi segura colega ferido enquanto forças de segurança avançam contra acampamento em Nasr City (14/8). Foto: APManifestante carrega cópias do Corão enquanto forças do Egito avançam contra acampamento em Nasr City (14/8). Foto: APPartidários de Morsi feridos repousam no chão após forças de segurança egípcias avançarem contra acampamento em Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APForças de segurança egípcias avançam contra acampamento em Nasr City, no Cairo (14/8). Foto: APMembro das forças de segurança do Egito fala com partidária do presidente deposto Mohammed Morsi em acampamento perto da Universidade Giza (14/8). Foto: APForças de segurança do Egito prende manifestantes durante remoção de acampamento de partidários do islamita Mohammed Morsi em Nasr City, Cairo (14/8) . Foto: APForças de segurança do Egito dispersam acampamento de partidários de Mohammed Morsi em Nasr City, no Cairo (14/8). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi gritam palavras de ordem contra Exército durante confrontos no bairro de Mohandessin, no Egito (14/8). Foto: AP

Massacre: Mortos em ação de Egito contra partidários de Morsi chegam a 638

O atual governo egípcio continua se opondo à Irmandade Muçulmana por meios violentos. Para setores americanos, o governo militar desrespeita os direitos humanos. Cogita-se que os EUA podem suspender sua ajuda militar ao Egito.

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É sabido que enviados israelenses, não identificados, conversaram com o Egito sobre a segurança de Israel e simpatia pelo atual governo egípcio. Por outro lado, a Irmandade pode receber ajuda de voluntários vindos de países da região e até da Europa, onde fanáticos muçulmanos se proliferam.

*Com colaboração de Nelson Burd

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