Político deposto Bo Xilai nega acusação de suborno em tribunal na China

Por iG São Paulo |

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Ex-estrela política do Partido Comunisa afirmou ter sido vítima de uma armação e que foi pressionado a confessar

Diante do tribunal nesta quinta-feira (22) no julgamento mais político na China em décadas, o político deposto Bo Xilai se defendeu das acusações de corrupção, dizendo que foi pressionado a confessar e negou fortemente as alegações de que teria recebido subornos de milhões de dólares.

AP
Bo Xilai comparece a julgamento Bo na província de Shandong, leste da China

O ex-chefe do Partido Comunista na cidade de Chongqing, de 64 anos, é acusado de ter recebido subornos de quase 27 milhões de iuanes (4,41 milhões de dólares), além de cometer corrupção ativa e abuso de poder. É quase certo que ele será condenado.

O que ninguém esperava era que, nas suas primeiras declarações públicas desde que foi destituído do cargo, no começo de 2012, ele se mostrasse tão desafiador. Mas observadores dizem que ele pode ter feito um acordo com as autoridades, a fim de demonstrar que estaria recebendo um julgamento justo, em troca de uma sentença pré-arranjada.

"Ele está claramente acompanhando esse julgamento", disse Nicholas Bequelin, pesquisador da entidade de Nova York Human Rights Watch. "O resultado já foi decidido. Já há provavelmente um acordo entre Bo e o Partido (Comunista) quanto ao resultado."

Bo pertencia a uma ala mais à esquerda do partido, que se opõe ao viés capitalista adotado pela liderança chinesa nas últimas décadas. Sua queda expôs divisões dentro do regime comunista e na própria sociedade chinesa.

O réu chegou a ser uma estrela em ascensão no Partido Comunista, e candidato a um cargo no alto escalão. Seu julgamento na cidade de Jinan marca o apogeu do maior escândalo político no país desde a deposição da Camarilha dos Quatro, no final da Revolução Cultural, em 1976.

Em tom muito sério, Bo - bem barbeado, vestindo camisa branca de manga comprida e com o cabelo ainda aparentemente tingido de preto - se colocou de pé, sem algemas, e se manteve com as mãos cruzadas à sua frente, sob escolta de dois policiais, como mostraram imagens da TV estatal.

A imprensa estrangeira não pôde assistir ao julgamento, e as declarações dele foram transmitidas pelo microblog oficial do tribunal, o que indica que podem ter sido fortemente editadas. Mesmo assim, a transcrição oferecida pela corte marca um grau de abertura inédito em um julgamento na China.

"Com relação à questão de Tang Xiaolin me dar dinheiro três vezes, eu certa vez admiti isso contra minha vontade durante a investigação da Comissão Central de Inspeção Disciplinar contra mim", disse Bo, referindo-se ao principal órgão disciplinar do partido.

"Estou disposto a arcar com as responsabilidades legais, mas na época não sabia das circunstâncias dessas questões: minha mente estava em branco."

Ressaltando o apoio popular a Bo, alguns apoiadores protestaram em frente ao tribunal pelo segundo dia seguido para denunciar o que afirmam ser uma perseguição política. A polícia os dispersou.

Bo também desviou 5 milhões de iuanes de um projeto do governo na cidade de Dalian, onde atuou como prefeito, de acordo com o tribunal.

A acusação de abuso de poder contra Bo diz respeito a um caso de assassinato envolvendo sua mulher, Gu Kailai, que foi condenada pelo assassinato em 2011 do empresário britânico Neil Heywood, um parceiro de negócios e amigo da família. Bo tentou acobertar o caso.

Sua condenação é praticamente inevitável, uma vez que os promotores e tribunais estão sob controle do Partido Comunista. O julgamento de Bo deve durar dois dias, e o veredicto é esperado para o começo de setembro, segundo a TV estatal CCTV.

Com Reuters

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