Chefe de gabinete de premiê britânico pressionou jornal por caso Snowden

Por Reuters |

compartilhe

Tamanho do texto

Heywood manteve contatos com Guardian para impedir revelações sobre espionagem dos EUA e do Reino Unido

Reuters

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, determinou ao seu principal assessor que buscasse impedir o jornal Guardian de publicar as revelações do ex-analista da CIA Edward Snowden sobre os programas secretos de espionagem dos governos britânico e norte-americano, segundo duas fontes ligadas diretamente ao assunto.

Relata editor: Governo forçou The Guardian a destruir documentos de Snowden

Reuters
Primeiro-ministro britânico, David Cameron, e sua mulher, Samantha, são vistos durante suas férias de verão em café em Polzeath, sudoeste da Inglaterra (20/7)

Dia 1º: Snowden recebe asilo temporário da Rússia e deixa aeroporto

A notícia de que o chefe de gabinete Jeremy Heywood manteve contatos com o Guardian para tentar impedir as revelações arrasta Cameron para o centro da tempestade desencadeada pela resposta do governo britânico ao noticiário envolvendo Snowden, ex-funcionário de uma prestadora de serviços da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês), atualmente asilado na Rússia.

Alan Rusbridger, editor do Guardian, disse na terça-feira que, depois de o jornal revelar os programas de espionagem, ele foi procurado por "um funcionário de altíssimo escalão que dizia representar as opiniões do primeiro-ministro".

NYT: Chat criptografado e reunião secreta possibilitaram expor programa

Traidor ou herói: Delator dos EUA abre debate sobre limites da guerra ao terror

As fontes ouvidas pela Reuters identificaram esse funcionário como sendo Heywood, o principal assessor de Cameron para assuntos administrativos. "O primeiro-ministro pediu ao chefe de gabinete que lidasse com essa questão, isso é verdade", disse uma fonte à Reuters.

Partidários do governo dizem que as informações vazadas por Snowden podem ameaçar a segurança nacional. Grupos de direitos humanos, por outro lado, acusam o governo de ter violado a liberdade de expressão ao reagir às revelações.

Em Londres: Parceiro de jornalista que denunciou caso Snowden é detido

Isso inclui a detenção no domingo do companheiro brasileiro do repórter do Guardian que publicou as revelações, e a notícia de que o jornal foi obrigado pelas autoridades a destruir os computadores que continham informações fornecidas por Snowden.

'A par': Premiê britânico sabia de plano de deter parceiro de jornalista

O brasileiro David Miranda passou nove horas detido no aeroporto de Heathrow, em Londres, período em que teve aparelhos eletrônicos confiscados e foi interrogado sobre as atividades jornalísticas do seu companheiro, que vive no Rio de Janeiro.

Miranda: Brasileiro detido em Londres diz que foi forçado a revelar senhas de e-mail

Sigilo de dados apreendidos: Brasileiro retido em Londres entra na Justiça

Uma porta-voz de Cameron disse que não discutiria casos específicos, mas que, "se informações altamente sensíveis estiverem sido mantidas de forma desprotegida, temos a responsabilidade de protegê-las". Cameron está de férias no sudoeste da Inglaterra.

O governo britânico vem tentando se distanciar da acusação feita por Rusbridger e da polêmica envolvendo a detenção de Miranda com base em uma lei antiterrorismo. As autoridades dizem que ambas as situações atenderam a critérios operacionais de segurança.

Reação: Reino Unido diz que detenção de brasileiro protege segurança nacional

Reuters
Jornalista americano Glenn Greenwald (E) caminha com seu parceiro David Miranda no Aeroporto Internacional do Rio (19/7)

Na terça-feira, a Casa Branca disse que não comentaria a destruição do material entregue por Snowden, mas o vice-porta-voz John Earnest disse que seria inimaginável que autoridades dos EUA destruíssem discos rígidos de uma empresa de comunicações para proteger a segurança nacional. "É muito difícil imaginar um cenário em que isso fosse apropriado", disse.

EUA: Reino Unido avisou que deteria parceiro de jornalista do caso Snowden

O Reino Unido diz que suas agências de segurança agem de acordo com a lei, e que os vazamentos propiciados por Snowden são uma ameaça à segurança nacional.

O Brasil disse ao governo britânico que considerava "injustificável" a detenção do seu cidadão, que fazia uma conexão em Londres para voltar ao Rio depois de ir a Berlim apanhar novos arquivos com uma jornalista na Alemanha também contactada por Snowden.

Denúncias pelo vazamento de Snowden:
Brasil: Leia todas as notícias sobre a espionagem no Brasil
Bild: Espionagem alemã usou dados de monitoramento dos EUA
Monitoramento: EUA mantêm ampla base de dados telefônicos
Prism: EUA coletam dados de nove empresas de internet
Jornal: EUA podem usar dados de inteligência sem mandado
Anfitrião: Reino Unido espionou autoridades do G20 em 2009
Guerra cibernética: EUA espionam computadores da China
Diplomatas: Europa exige respostas sobre supostos grampos dos EUA
XKeyscore: Ferramenta permite monitoramento em tempo real
Jornal: Agência dos EUA quebrou regras de privacidade milhares de vezes

Advogados que representam Miranda abriram um processo contra o governo e a polícia, acusando-os de abusar dos seus poderes de combate ao terrorismo para se apropriar de materiais jornalísticos sensíveis.

A secretária britânica do Interior, Theresa May, disse na terça-feira que a polícia agiu corretamente ao deter Miranda, por considerar que ele estava de posse de "informações furtadas e altamente sensíveis, que poderiam ajudar terroristas, que poderiam colocar vidas em risco".

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas