Brasileiro retido em Londres entra na Justiça por sigilo de dados apreendidos

Por Agência Brasil |

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David Miranda é namorado de Glenn Greenwald, jornalista que revelou esquema de espionagem dos Estados Unidos

Agência Brasil

Os advogados do brasileiro David Miranda e do jornalista do jornal The Guardian, Glenn Greenwald, entraram nesta terça-feira (20) na Justiça, em Londres, para impedir o governo britânico de acessar os dados do laptop e dos equipamentos eletrônicos que foram confiscados durante interrogatório de quase nove horas de David no Aeroporto de Heathrow, no domingo (18).

Premiê britânico sabia de plano de deter namorado de jornalista

“Estou fazendo o pedido [na Justiça] para dizer que o que fizeram com David foi contra a lei, para proibir que eles usem o material que tomaram, dizer que eles não podem dividir isso com ninguém, nem com os Estados Unidos, e que devolvam tudo imediatamente”, disse Glenn Greenwald, namorado do brasileiro.

AP
Jornalista do The Guardian Glenn Greenwald (dir) e seu namorado David Miranda são fotografados juntos em localização desconhecida (foto de arquivo)

Segundo o jornalista, os advogados entraram hoje com o processo na Justiça e nesta quarta (21) eles pedirão urgência na tramitação. Ele avaliou que o desenvolvimento do caso para buscar a retratação do governo britânico está bem encaminhado. “Muito. O processo começa hoje e os advogados são muito bons e acho que está bom”, disse.

Domingo: Parceiro de jornalista que denunciou caso Snowden é detido

Greenwald considerou que, no interrogatório do companheiro, as questões não trataram de terrorismo, o que poderia ocorrer em caso de aplicação da legislação antiterror do país. “Para mim é muito claro que o que eles fizeram foi totalmente contra a lei. Com a lei, eles podem investigar se alguém é envolvido com organização terrorista, mas em momento algum perguntaram sobre isso ao David. Foram perguntas só sobre mim, sobre Laura [documentarista Laura Poitras] e sobre o The Guardian. Acho que os tribunais da Inglaterra vão falar isso”, analisou o jornalista.

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As autoridades britânicas justificam a retenção de David com base na Cláusula 7 da Lei de Antiterrorismo, que permite à polícia local deter qualquer pessoa na fronteira do Reino Unido sem a exigência de apresentar uma causa provável. A lei determina que a pessoa pode ser detida por até nove horas, sem justificativa adicional. David ficou respondendo às questões por oito horas e 55 minutos e depois foi liberado.

A legislação define ainda que o detido deve responder a todas as perguntas, mesmo sem advogado presente. A recusa em responder às perguntas, independente dos motivos, ou a falta de cooperação com a polícia são consideradas crime. David foi retido enquanto fazia uma escala do voo de Berlin, na Alemanha, para o Rio de Janeiro, onde desembarcou ontem (19).

O brasileiro foi à Alemanha para entregar documentos a Laura Poitras e trazer material para Glenn Greenwald, que mora com David no Rio de Janeiro. A documentarista e o jornalista denunciaram esquema de espionagem eletrônica do governo dos Estados Unidos, com base em dados e documentos secretos recebidos de Edward Snowden, que prestava serviços para a Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA).

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