Agência do Japão propõe elevar nível de gravidade do vazamento de Fukushima

Por iG São Paulo |

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Intenção é elevar classificação de 'anormalidade' para 'incidente sério'; agência afirma que vai consultar a ONU

A agência nuclear do Japão afirmou nesta quarta-feira que está levando a sério o vazamento de água radioativa de um tanque da usina de Fukushima e propôs elevar a classificação de gravidade do ocorrido de "uma anormalidade" para "um incidente sério".

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AP
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A operadora da usina afirmou que cerca de 300 mil litros de água contaminada vazou de um dos mais de cem tanques em torno da usina de Fukushima. A Tokyo Eletric Power Co. (Tepco) não conseguiu identificar como e a partir de onde a água vazou, mas suspeita que tenha sido através de uma emenda do tanque.

O vazamento, o quinto desde o ano passado envolvendo tanques, também elevou as preocupações de que esse pode ser um novo desastre. "Isso é o que mais tememos. Devemos permanecer em alerta. Devemos presumir que o que aconteceu uma vez pode acontecer de novo e precisamos estar preparados para mais", disse o presidente da agência Shunichi Tanaka. "Estamos em uma situação que não há mais tempo para esperar."

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A agência propôs durante a reunião semanal nesta quarta-feira de elevar a classificação do vazamento do nível 1 para o nível 3, em uma escala nuclear internacional que vai até 8. A agência, entretanto, planeja ainda consultar a agência nuclear da ONU para saber se é apropriado usar essa escala de avaliação, uma vez que a usina de Fukushima não está em atividade.

A agência exigiu que a Tepco intensifique o monitoramento dos vazamentos e tome medidas de precaução.

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Durante a reunião, autoridades também revelaram que funcionários da usina aparentemente deixaram passar vários sinais de vazamentos, sugerindo que suas patrulhas diárias tratavam-se apenas de uma caminhada e não uma inspeção.

O porta-voz da Tepco Masayuki Ono disse que a água que vazou se infiltrou no solo depois de escorrer de pilhas de sacos de areia colocados em torno de uma barreira de concreto em torno do tanque. Ele afirmou também que como o tanque fica distante 500 metros da costa, o vazamento não representa uma ameaça imediata ao mar.

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Mas autoridades da agência alertaram que a água poderia alcançar o mar através da calha, exigindo que a usina recolha amostras de água.

Quatro outros tanques tiveram vazamentos similares desde o ano passado. Os incidentes abalaram a confiança na segurança das centenas de tanques, cruciais para o armazenamento da água que é canalizada para os reatores quebrados para manter o combustível radioativo.

A usina sofreu múltiplos colapsos após um forte terremoto seguido de tsunami em março de 2011 - o pior acidente desde Chernobyl em 1986.

Com AP

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