Porta-voz de grupo de líder deposto convoca marchas depois das preces de sexta após repressão matar centenas

O Conselho de Segurança da ONU apelou a todas as partes no Egito nesta quinta-feira que acabem com a violência e exerçam o máximo controle depois de centenas morrerem após tropas e policiais reprimirem manifestantes que exigiam o retorno do presidente deposto Mohammed Morsi ao poder.

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Egípcios choram sobre corpos de parentes mortos em repressão militar no dia anterior no Cairo (15/8)
AP
Egípcios choram sobre corpos de parentes mortos em repressão militar no dia anterior no Cairo (15/8)


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O apelo foi feito enquanto Gehad al-Haddad, porta-voz da Irmandade Muçulmana , de Morsi, convocava pelo Twitter uma "Sexta-feira da Ira" no Cairo depois de a repressão violenta a dois acampamentos da capital ter desatado episódios de violência em todo o país na quarta. 

"Marchas antigolpe partirão de todas as mesquitas do Cairo em direção à praça Ramsis depois das (tradicionais) preces na 'Sexta-Feira do Ódio", escreveu no em sua conta na rede social.

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Em Nova York, a reunião do Conselho de Segurança foi solicitada conjuntamente por França, Reuno Unido e Austrália, três dos 15 membros do órgão.

"A visão dos membros do conselho é de que é importante acabar com a violência no Egito e que as partes exerçam a máxima contenção", disse a embaixadora argentina nas Nações Unidas, Maria Cristina Perceval.

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Homem caminha do lado de fora da mesquita Rabaa Adawiya um dia depois de uma ação violenta da polícia egípcia no Cairo
AP
Homem caminha do lado de fora da mesquita Rabaa Adawiya um dia depois de uma ação violenta da polícia egípcia no Cairo

Também nesta quinta, o presidente americano, Barack Obama, condenou a violência e anunciou que os EUA estavam cancelando exercícios militares conjuntos bienais com as forças egípcias previstos para o próximo mês. Ele também acrescentou que medidas adicionais estavam sob análise. A advertência foi reiterada pelo Departamento de Estado, que disse que os EUA vão rever a ajuda que concedem ao Egito "em todas as formas".

"Daqui para frente, como vocês viram evidências esta manhã com o anúncio, continuaremos a avaliar e analisar nosso auxílio em todas as formas", disse a porta-voz do Departamento de Estado Jen Psaki referindo-se ao pronunciamento de Obama. O Departamento também alertou os cidadãos americanos a não viajar ao Egito e aconselhou aqueles que moram no país a partir .

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O governo interino egípcio apoiado pelos militares ordenaram a tomada dos acampamentos de protesto pró-Morsi após o amanhecer de quarta-feira, seis semanas depois que o Exército derrubou o primeiro líder eleito livremente no país .

Após a repressão brutal aos manifestantes, a presidência interina do Egito declarou um mês de estado de emergência no Egito, impondo um toque de recolher noturno no Cairo e em outras províncias.

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Em reação à repressão violenta do governo, o vice-presidente egípcio, Mohamed ElBaradei, renunciou ao cargo . "Ficou difícil para mim continuar a ter responsabilidade por decisões com as quais não concordo e cujas consequências temo. Não posso carregar a responsabilidade por uma única gota de sangue", escreveu em sua carta de renúncia a Mansour.

*Com AP e Reuters

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