ONU pede controle a lados rivais do Egito; Irmandade convoca sexta-feira da ira

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Porta-voz de grupo de líder deposto convoca marchas depois das preces de sexta após repressão matar centenas

O Conselho de Segurança da ONU apelou a todas as partes no Egito nesta quinta-feira que acabem com a violência e exerçam o máximo controle depois de centenas morrerem após tropas e policiais reprimirem manifestantes que exigiam o retorno do presidente deposto Mohammed Morsi ao poder.

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AP
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O apelo foi feito enquanto Gehad al-Haddad, porta-voz da Irmandade Muçulmana, de Morsi, convocava pelo Twitter uma "Sexta-feira da Ira" no Cairo depois de a repressão violenta a dois acampamentos da capital ter desatado episódios de violência em todo o país na quarta. 

"Marchas antigolpe partirão de todas as mesquitas do Cairo em direção à praça Ramsis depois das (tradicionais) preces na 'Sexta-Feira do Ódio", escreveu no em sua conta na rede social.

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Em Nova York, a reunião do Conselho de Segurança foi solicitada conjuntamente por França, Reuno Unido e Austrália, três dos 15 membros do órgão.

"A visão dos membros do conselho é de que é importante acabar com a violência no Egito e que as partes exerçam a máxima contenção", disse a embaixadora argentina nas Nações Unidas, Maria Cristina Perceval.

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AP
Homem caminha do lado de fora da mesquita Rabaa Adawiya um dia depois de uma ação violenta da polícia egípcia no Cairo

Também nesta quinta, o presidente americano, Barack Obama, condenou a violência e anunciou que os EUA estavam cancelando exercícios militares conjuntos bienais com as forças egípcias previstos para o próximo mês. Ele também acrescentou que medidas adicionais estavam sob análise. A advertência foi reiterada pelo Departamento de Estado, que disse que os EUA vão rever a ajuda que concedem ao Egito "em todas as formas".

"Daqui para frente, como vocês viram evidências esta manhã com o anúncio, continuaremos a avaliar e analisar nosso auxílio em todas as formas", disse a porta-voz do Departamento de Estado Jen Psaki referindo-se ao pronunciamento de Obama. O Departamento também alertou os cidadãos americanos a não viajar ao Egito e aconselhou aqueles que moram no país a partir.

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O governo interino egípcio apoiado pelos militares ordenaram a tomada dos acampamentos de protesto pró-Morsi após o amanhecer de quarta-feira, seis semanas depois que o Exército derrubou o primeiro líder eleito livremente no país.

Após a repressão brutal aos manifestantes, a presidência interina do Egito declarou um mês de estado de emergência no Egito, impondo um toque de recolher noturno no Cairo e em outras províncias.

Veja imagens da crise no Egito desde a deposição de Morsi:

Forças de segurança do Egito fazem guarda em frente da Universidade Islâmica Al-Azhar no Cairo (30/10). Foto: APForças de segurança do Egito e civis seguram um partidário do presidente deposto Mohammed Morsi perto da Praça Ramsis, no Cairo (7/10). Foto: APConfrontos entre apoiadores e opositores do presidente deposto do Egito, Mohamed Mursi, deixam mortos e feridos (6/10). Foto: Amr Abdallah Dalsh/ReutersPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi gritaram palavras de ordem contra o ministro da Defesa do país durante marcha (4/10). Foto: APForças de segurança do Egito protegem o corpo do General Nabil Farrag morto por militantes que abriram fogo em Kerdasa  (19/9). Foto: APPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi protestam em Nasr City, no Cairo (13/9). Foto: APExército do Egito ataca militantes islâmicos no norte do Sinai (7/9). Foto: APPessoas observam carro queimando momentos depois que um atentado à bomba atingiu o comboio do ministro do Interior do Egito, Mohammed Ibrahim (5/9). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi cobram para se proteger de gás lacrimogêneo lançado por polícia no Cairo, Egito (30/8). Foto: APManifestantes que apoiam o líder deposto Mohammed Morsi ajudam ferido perto de Praça Ramsés, no Cairo (16/8). Foto: ReutersPartidário de Mohammed Morsi se desespera enquanto amigo que foi ferido pelas forças de segurança recebe tratamento em mesquita no Cairo, Egito (16/8). Foto: NYTEgípcios velam corpos de seus parentes mortos em massacre de quarta-feira na mesquita Al-Fath, no Cairo (16/8). Foto: APCivil carregando uma arma observa movimento da rua no bairro de Zamalek no Cairo, Egito (16/8). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi gritam palavras de ordem contra Exército durante confrontos no bairro de Mohandessin, no Egito (14/8). Foto: APForças de segurança do Egito prende manifestantes durante remoção de acampamento de partidários do islamita Mohammed Morsi em Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APHomem é ferido durante confronto no Egito (27/7). Foto: APPartidários do chefe do Exército egípcio, general Abdel-Fatah el-Sissi, se manifestam em ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APHomem de joelhos agita bandeiras do Egito  em uma ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APOpositores do presidente deposto Mohammed Morsi carregam amigo ferigo em confrontos com partidários de Morsi no Cairo (23/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi queimam pôsteres com sua foto durante confrontos no Cairo, Egito (22/03). Foto: APEgípcio com uma pistola e opositores do presidente Mohammed Morsi detêm um suposto partidário de Morsi que foi ferido em confrontos no Cairo (22/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi jogam pedras em opositores de Morsi durante confrontos em uma ponte no centro do Cairo (15/7). Foto: APMembros da Irmandade Muçulmana protestam com máscaras de Morsi no Cairo, no Egito (13/7) . Foto: ReutersPartidária de Mohammed Morsi coloca faixa na cabeça (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi rezam depois da quebra do jejum durante o mês sagrado do Ramadã em Nasr City, Cairo, Egito (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi seguram seus cartazes em protesto perto da Universidade do Cairo, no Egito (12/7). Foto: APVoluntários usando coletes amarelos protegem mulheres na praça Tahrir (8/7). Foto: APEgípcio chora do lado de fora de necrotério depois de carregar o corpo de seu irmão morto perto da Guarda Republicana no Cairo (8/7). Foto: APHomem mostra camiseta ensanguentada de partidário do presidente deposto Mohammed Morsi do lado de fora de hospital no Cairo (8/7). Foto: APMédico egípcio partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em hospital em Nassr City, Cairo (8/7). Foto: APCorpo de partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em ambulância no Cairo, Egito (8/7). Foto: APHomem chora em hospital improvisado depois de soldados e policiais abrirem fogo contra partidários de líder deposto Morsi (8/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi se manifestam na Praça Tahir, no Cairo, Egito (7/7). Foto: APOponentes de Mohammed Morsi se reunem na Praça Tahir, no Cairo, no domingo (7/7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (4/7). Foto: ReutersPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: Reuters

Em reação à repressão violenta do governo, o vice-presidente egípcio, Mohamed ElBaradei, renunciou ao cargo . "Ficou difícil para mim continuar a ter responsabilidade por decisões com as quais não concordo e cujas consequências temo. Não posso carregar a responsabilidade por uma única gota de sangue", escreveu em sua carta de renúncia a Mansour.

*Com AP e Reuters

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