Cartes assume presidência do Paraguai em cerimônia que marca fim de isolamento

Por iG São Paulo |

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Em discurso, novo presidente faz referência a Dilma Rousseff e promete combater a pobreza no país

O empresário Horacio Cartes assumiu nesta quinta-feira (15) a presidência do Paraguai, em uma cerimônia que marcou o fim do isolamento regional que o país enfrenta há mais de um ano.

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O novo presidente, um dos homens mais ricos do Paraguai, jurou governar pelos próximos cinco anos um dos países mais desiguais do continente, quatro meses depois de ter vencido as eleições com 46% dos votos representando o Partido Colorado, de direita.

Além da presidente Dilma Rousseff, outros presidentes sul-americanos estiveram na cerimônia de posse. Cartes recebeu a faixa presidencial das mãos do presidente do Congresso, Julio César Velázques, depois de prestar juramento diante de uma centena de delegações de todo o mundo. O presidente assume no lugar de Federico Franco.

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A presença dos presidentes de Argentina, Brasil e Uruguai foi interpretada pelo governo eleito como um gesto de aproximação, após a reincorporação do Paraguai ao Mercosul no mês passado.

O Paraguai foi suspenso depois de o presidente socialista Fernando Lugo ter sito deposto em junho de 2012, e a Venezuela ter sido incorporada como sócia plena imediatamente depois. A entrada da Venezuela no Mercosul dependia do Paraguai. Cartes, que esperava que a Venezuela não assumisse a presidência do Mercosul em julho, não convidou o presidente Nicolás Maduro para a cerimônia.

Cartes agradeceu a presença de Dilma e Cristina Kirchner na cerimônia, e, ao mencionar o nome de ambas, foi vaiado por simpatizantes do Partido Colorado, que condenaram a suspensão do Paraguai dos blocos regionais. Amanda Ruiz Díaz, de 22 anos, disse que o Brasil, a Argentina e o Uruguai “violaram a soberania do Paraguai” ao adotar a punição da suspensão do país tanto do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). “Foram motivações ideológicas mais do que políticas”, disse a ativista.

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Cartes, que cumpre mandato até 2018, citou em seu juramento os desafios que quer enfrentar no governo. Segundo ele, a prioridade é combater a pobreza. “Não estou na política para cuidar de uma carreira nem enriquecer um patrimônio, mas (estou aqui) para melhorar o futuro das novas gerações."

Em relação à polêmica que envolve os brasiguaios – brasileiros que vivem e produzem em terras paraguaias e que entram em conflitos com os locais –, o presidente avisou que não “vai deixar o governo à mercê de grupos criminosos e armados”.

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Cartes disse que “invocava” a Deus para ter “sabedoria, força e espírito de justiça” na condução do novo governo. “Se em cinco anos, ao concluir o mandato, não tivermos conseguido reduzir substancialmente a pobreza (que atinge 40% da população do Paraguai) serão estéreis todas as obras. Por isso, reitero que nossa obsessão é ganhar cada batalha na guerra que hoje declaramos à pobreza."

Cartes tem reuniões previstas com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e com José Mujica, do Uruguai, depois da cerimônia de posse. Ele teve um encontro privado com Dilma na quarta-feira. "Acredito que a presença do presidente Horacio à frente do governo do Paraguai vai propiciar que as nossas relações deem um salto qualitativo", disse a presidente Dilma após a reunião.

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Dono de um banco, várias plantações de tabaco e uma fábrica de refrigerantes, entre outras empresas, Cartes chega à presidência com grande apoio do Congresso e expectativas moderadas. Ele lidera o retorno do conservador Partido Colorado ao poder que deteve durante seis décadas até 2008.

O Partido Colorado possui a maioria na Câmara de Deputados, e Cartes chegou a um acordo com a oposição para obter apoio também no Senado em reformas-chave, o que asseguraria a governabilidade.

Com Reuters e Agência Brasil

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