Após derrota em primárias, Cristina diz que ampliará intervencionismo argentino

Por Reuters |

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Em discurso inflamado, presidente conclama aliados a reverter derrota nas primárias para eleições de outubro

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A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, prometeu nesta quarta-feira aprofundar sua política econômica intervencionista, num inflamado discurso em que conclamou seus aliados a reverter a derrota sofrida nas recentes primárias para a eleição legislativa de outubro.

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AP
Presidente argentina, Cristina Kirchner, conversa com a imprensa após votar nas eleições primárias em Rio Gallegos (11/8)

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Os mercados esperavam ansiosos o discurso de Cristina, buscando pistas sobre a manutenção ou não de uma política econômica que, segundo analistas, foi uma das causas da derrota da ala governista nas principais províncias do país no domingo.

"O futuro somos nós, porque para ter futuro temos de aprofundar essas políticas", disse Cristina, aplaudida por governadores e militantes do movimento peronista.

Após o discurso, o peso se desvalorizou em 0,67% frente ao dólar no mercado negro, ao qual os poupadores recorrem para se abastecer de divisas, burlando o férreo controle cambial.

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As primárias de domingo serviram para selecionar e ordenar as listas partidárias que disputarão a eleição parlamentar de outubro. A facção kirchnerista do peronismo perdeu quase metade dos votos em comparação à eleição presidencial de 2011, quando Cristina foi reeleita.

O resultado da eleição primária praticamente enterrou as esperanças governistas de formar uma ampla maioria que lhe permitisse reformar a Constituição e autorizar uma nova reeleição presidencial na eleição de 2015.

Aliados de Cristina foram derrotados nos cinco principais distritos eleitorais argentinos, incluindo a crucial Província de Buenos Aires, onde o peronismo não governista a desafiou lançando a candidatura a deputado do popular prefeito de Tigre, Sergio Massa, favorável a políticas econômicas menos intervencionistas.

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Analistas dizem que a inflação elevada, o controle cambial e a brusca desaceleração do crescimento econômico prejudicaram o campo governista na disputa. Mas, em seu discurso, Cristina rejeitou desvalorizar a moeda ou implementar metas de inflação.

"Sabem o que significa governar com metas de inflação? Eu lhes traduzo. É colocar uma armadilha para os salários... para que não aumentem, porque (os que defendem as metas) sustentam como base que o aumento salarial é inflacionário."

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