Israel rejeita parar libertação de palestinos, mas avança com plano de colônias

Por iG São Paulo |

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Expansão de bairro judeu se soma a moradias anunciadas no fim de semana; 26 palestinos devem ser soltos nesta 3ª

Israel avança com um plano para construir quase 900 novas unidades de moradia em um assentamento em Jerusalém Oriental, disse uma autoridade nesta terça-feira, em uma medida que irritou os palestinos um dia antes de os dois lados se reunirem para negociações de paz no Oriente Médio pela primeira vez em quase cinco anos.

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Reuters
Parente segura em Hebron, Cisjordânia, retrato do prisioneiro palestino Jamil Nabi Annatsheh antes de sua libertação de uma prisão israelense

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O anúncio israelense ameaçou envenenar a atmosfera antes das negociações de quarta, que acontecem depois de meses de mediação do secretário de Estado americano, John Kerry. Em um gesto inicial antes da negociações, Israel se preparava para libertar 26 prisioneiros palestinos na noite desta terça.

A última rodada de negociações substanciais fracassou no final de 2008, e o diálogo continuou em um impasse principalmente por causa da questão da construção de assentamentos israelenses em territórios reivindicados pelos palestinos para seu futuro Estado. Os palestinos dizem que os assentamentos, agora lar de mais de 500 mil israelenses, dificultam cada vez mais o estabelecimento de seu Estado e que a continuidade da construção israelense é um sinal de má-fé.

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Hanan Ashrawi, uma graduada autoridade palestina, disse que os planos de assentamento de Israel são um tapa na cara dos palestinos e de Kerry. "Não é apenas uma sabotagem deliberada das negociações, mas realmente uma destruição de seu resultado", disse. Ela conclamou Kerry "a se posicionar perante Israel" e dar uma resposta dura.

Em visita à Colômbia, o secretário de Estado disse que os EUA "veem todos os assentamentos como ilegítimos", mas que uma nova ampliação "já era esperada em algum grau" e que os palestinos não deveriam "reagir adversamente". Israel respondeu às críticas dizendo que os projetos dizem respeito a áreas da Cisjordânia que o Estado judeu pretende reter para si após um eventual acordo.

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A mais recente construção deve ocorrer em Gilo, uma área em Jerusalém Oriental que Israel considera ser vizinha de sua capital. A anexação por Israel de Jerusalém Oriental, que os palestinos reivindicam como sua capital, não é reconhecida internacionalmente.

Efrat Orbach, uma porta-voz do Ministério do Interior, confirmou que a aprovação foi dada para expandir o bairro judaico de Gilo. O plano de moradia, que recebeu aprovação inicial no ano passado, expandiria as fronteiras de Gilo ainda mais em direção a um bairro palestino. Os planos para as 900 unidades de habitação em Gilo vêm após o anúncio feito no início desta semana para cerca de 1,2 mil casas de assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

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Orbach disse que mais aprovações são necessárias e pode levar anos antes do início das contruções. Mas Lior Amihai, do grupo antiassentamentos Peace Now (Paz Agora, em tradução literal), disse que o plano não precisa de mais nenhum endosso, com as construções podendo começar dentro de semanas.

Os palestinos haviam recusado retomar negociações se Israel não parasse as construções dos assentamentos, uma demanda rejeitada por Israel. Depois de seis viagens à região, Kerry conseguiu persuadir o presidente palestino, Mahmud Abbas, a abrir mão da questão como uma condição para a retomada do diálogo.

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Em troca, Kerry conseguiu o compromisso israelense de atender outra demanda palestina e soltar 104 prisioneiros que cumprem longas sentenças, muitos por envolvimento no assassinato de israelenses, em quatro etapas. Os primeiro grupo de 26 deve ser solto às 18 horas desta terça.

A Suprema Corte de Israel rejeitou nesta terça-feira um recurso das famílias dos israelenses mortos para impedir a libertação. Um grupo de três juízes determinou que o governo agiu dentro de suas atribuições ao decidir libertar os presos.

O presidente palestino, Mahmud Abbas, promete buscar a libertação de todos os presos palestinos. A questão dos prisioneiros é altamente delicada em uma sociedade onde milhares estão sob custódia de Israel.

*Com AP e Reuters

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