'Esperamos que Brasil entenda e aceite', diz Kerry sobre espionagem dos EUA

Por Luciana Lima - iG Brasília | - Atualizada às

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Governo brasileiro deixa claro que não concorda com vigilância que atingiu vários países, incluindo o Brasil

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, informou nesta terça-feira que não há intenção do governo dos EUA de parar com as ações de espionagem online e telefônica que atingiram pessoas em vários países, inclusive no Brasil. Segundo Kerry, o programa de monitoramento faz parte da política norte-americana de proteção aos cidadãos definida em lei aprovada após os atentados do 11 de Setembro de 2001.

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Alan Sampaio
Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, participa de coletiva em Brasília

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“O Congresso aprovou uma lei depois do atentado do 11 de Setembro para atender nossa vontade de querer compreender quais eram os complôs, as organizações que ameaçavam a segurança não só dos americanos, mas de todo o mundo. Essa lei foi aprovada sob a supervisão do Judiciário, do Executivo, ou seja, com o aval dos três poderes”, disse o secretário, referindo-se ao chamado Ato Patriótico.

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“Esperamos que entendam e aceitem”, disse Kerry em coletiva em Brasília ao lado do ministro de Relações Exteriores brasileiro, Antônio Patriota, em relação ao esquema de espionagem no Brasil que veio à tona há um mês por meio das denúncias feitas por Edward Snowden, ex-funcionário de uma prestadora de serviços da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês).

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Na reunião com Kerry, Patriota deixou claro que não basta, para o governo brasileiro, as explicações dadas pelo governo norte-americano sobre as denúncias de espionagem. O Brasil, de acordo com Patriota, acredita que essas ações devam ser “descontinuadas”.

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AP
Secretário de Estado dos EUA, John Kerry (D), caminha com o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, no Palácio do Itamary em Brasília

“Foram estabelecidos canais técnicos de comunicação. Os canais políticos estão abertos. Esclarecimentos estão sendo solicitados, mas os estes não são um fim em si mesmo. Os esclarecimentos não significam aceitar o status quo”, disse Patriota.

Kerry, por sua vez, pediu que o governo brasileiro se concentre em pontos comuns da agenda bilateral dos dois países que, além das relações comerciais, incluem ações de cooperação na área de meio ambiente, fortalecimento da democracia, defesa de direitos humanos e ações para desenvolvimento da educação.

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“Elos comerciais, questões sobre ambiente sustentável, cooperação no campo educacional, todos esses temas devem continuar à frente do pensamento de todos”, defendeu.

“Sei que as revelações que dizem respeito à segurança nacional aborreceram as pessoas”, disse Kerry . “Estamos comprometidos com o governo brasileiro de forma muito direta. Estamos aqui agora e vamos continuar a ter esse diálogo. E continuaremos a ter esse diálogo até termos certeza de que o governo brasileiro entende perfeitamente e concorda plenamente com o que achamos que precisamos fazer para dar segurança não só aos norte-americanos, mas também aos brasileiros e às demais pessoas do mundo", disse.

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Patriota informou a Kerry que o Brasil apoia a decisão tomada na semana passada no âmbito do Mercosul, condenando o programa de monitoramento e definindo ações multilaterais para garantir a soberania dos países.

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