Em visita à Colômbia, Kerry manifesta apoio a diálogo de paz com Farc

Por Reuters |

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Visita do secretário de Estado dos EUA à América do Sul ocorre em meio a reações a programas de monitoramento

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O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, prometeu na segunda-feira (12) um forte apoio do seu país ao processo de paz interno da Colômbia, nação que ele descreveu como uma história de sucesso em um mundo onde tantos Estados faliram ou estão falindo.

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AP
Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, conversa com policiais na sede da divisão de narcóticos em Bogotá, Colômbia

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"Os Estados Unidos da América vão apoiar essa paz", disse Kerry após reunião em Bogotá com o presidente colombiano, Juan Manuel Santos.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo de Santos mantêm discussões em Havana desde novembro para tentar encerrar um conflito que já deixou 200 mil mortos em quase cinco décadas.

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Na última década, o governo dos EUA ofereceu bilhões de dólares em ajuda militar e assistência técnica para o combate à guerrilha que tem ajudado a reduzir pela metade a força do grupo rebelde financiado pelas drogas, para cerca de 8 mil combatentes, além de isolá-lo na floresta.

A primeira visita oficial de Kerry à América do Sul como secretário de Estado ocorre em um momento de forte reação no continente aos programas de espionagem telefônica e digital revelados em junho por Edward Snowden.

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O Brasil reagiu de forma particularmente indignada à revelação de que foi um dos países mais afetados pela espionagem norte-americana.

Kerry disse que a polêmica sobre as atividades de espionagem ocuparam "uma pequeníssima parte da conversa total" com Santos.

"Estamos necessariamente envolvidos em um esforço muito complexo para evitar que terroristas tirem vidas inocentes em muitos lugares diferentes", disse Kerry, citando o fechamento temporário de cerca de 20 missões diplomáticas dos EUA neste mês. "Essa é a única coisa na qual estamos envolvidos."

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Uma fonte oficial dos EUA disse que o governo norte-americano está empenhado em impedir que a polêmica envolvendo as atividades da sua Agência de Segurança Nacional maculem outros aspectos das relações com a região.

A escolha da Colômbia como primeiro destino de Kerry na viagem reflete a estreita relação de Washington com Bogotá, numa região onde vários governos preferem manter distância dos EUA.

Os EUA não estão envolvidos diretamente no processo de paz colombiano, que parece avançar muito lentamente e enfrenta resistências de alguns setores da opinião pública local.

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