Israel aprova construção de mil casas em Jerusalém Oriental e Cisjordânia

Por iG São Paulo |

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Aval para novos assentamentos ocorre em meio a negociações e libertação de prisioneiros palestinos

O Ministro de Habitação de Israel deu neste domingo (11) aprovação final para construção de aproximadamente 1,2 mil casas em territórios que os palestinos reivindicam para seu Estado, apenas três dias antes do início do diálogo entre os dois lados do conflito para alcançar um acordo de paz.

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Os palestinos afirmaram que iria levar o assunto aos EUA e a Europa. O negociador Mohammed Shtayyeh disse que o último anúncio de Israel sobre promover planos de assentamento, o terceiro em uma semana, "é uma prova clara de que o governo israelense não fala sério sobre o diálogo de paz". 

O anúncio feito pelo ministro da Habitação Uri Ariel ocorre horas antes de Israel anunciar os nomes ed 26 prisioneiros palestinos veteranos que serão libertados no final dessa semana. Ao todo, Israel se comprometeu a libertar 104 prisioneiros em quatro fases no curso de nove meses das negociações de paz.

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A soltura dos prisioneiros é parte de um acordo, feito com a mediação dos EUA, que conseguiu levar os dois lados do conflito à mesa de negociações após cinco anos de congelamento nos diálogos. O anúncio dos novos assentamentos neste domingo e a aguardada decisão sobre os nomes dos prisioneiros a serem libertados pareceu uma troca: Israel solta alguns prisioneiros, mas continuará a construir assentamentos durante as negociações.

Os palestinos querem estabelecer um Estado na Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental, territórios capturados por Israel durante a Guerra de 1967. Desde o conflito, Israel contruiu dezenas de assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, onde agora vivem cerca de 560 mil israelenses.

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O presidente palestino Mahmoud Abbas insistiu por muito tempo que não voltaria à mesa de negociações antes que Israel interrompesse a construção de assentamentos, argumentando que a expansão dessas moradias antecipa o resultado do diálogo. A maior parte da comunidade internacional condena os assentamentos como ilegais.

Abbas retirou sua pré-condição depois que o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, conseguiu um acordo com Israel para libertar prisioneiros sentenciados a longas penas, incluindo alguns envolvidos na morte de israelenses.

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O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, preside uma coalizão que defende a continuidade da construção de assentamentos. 

No anúncio desse domingo, Ariel afirmou que 1.187 apartamentos tiveram aprovação final, o último estágio antes de começar a busca por construtoras. Desses apartamentos, 793 serão construídos nos bairros para judeus em Jerusalém Oriental.

"Nenhum país no mundo recebe ordem de outros países sobre onde se pode construir casas e onde não se pode", disse Ariel em comunicado. "Continuaremos com o mercado de habitação e com as construções em todo o país... Essa é a coisa certa para se fazer no momento para o sionismo e para a economia."

Com AP

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