Expansão de grupos extremistas preocupa países do Oriente Médio

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel |

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Presença da Al-Qaeda na Síria preocupa mais Israel e Ocidente que apoio do Hezbollah a regime de Assad

No ano passado, o rei da Arábia Saudita, Abdallah bin Abdul Aziz Al-Saud, doou US$ 10 milhões para a organização especializada contra o terrorismo da ONU. Nesta semana, a contribuição foi de US$ 100 milhões, o que dá uma medida da crescente preocupação das líderanças regionais, principalmente árabes, com a expansão da força de grupos extremistas.

AP
Soldado iemenita inspeciona carra em posto de controle em rua que leva à Embaixada dos EUA em Sanaa, Iêmen (4/8)

O Egito enfrenta uma crise política por causa das pressões de organizações islâmicas para o retorno do presidente deposto Mohammed Morsi ao poder. Seus opositores, porém, acreditavam que ele levaria o país à adoção da sharia (código de leis islâmico) como lei do Estado.

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, tem apoio do xiita Hezbollah, mas a Al-Qaeda, da seita sunita majoritária e integrada por fanáticos islamitas, está presente entre os rebeldes sírios que tentam sua deposição e preocupa mais a Israel e aos governos ocidentais.

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A Al-Qaeda está em todos os cantos, sob diversos nomes. No momento, embaixadas e outras organizações ocidentais espalhadas pelo mundo árabe ainda vivem sob as tensões criadas por informações captadas pelo governo americano, de que a Al-Qaeda planeja um grande atentado.

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Nos últimos dias, começou uma sutil ação israelense para aceitar a estratégia de conceder ao novo presidente irariano, Hassan Rohani, tempo para revisar o projeto atômico. Israel é o país que mais recebe ameaças do Irã, cujas lideranças mais radicais insistem que é urgente extinguir o Estado judeu.

Há o argumento de que Israel não pode pensar apenas sob o ângulo de seus problemas internos. Não há alternativa inteligente para a necessidade de conceder mais prazos para Rohani revelar suas verdadeiras intenções com relação às preocupações ocidentais e israelenses decorrentes da questão atômica iraniana.

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O mundo ocidental mostra-se inclinado a esperar, por enquanto, sem redução de sanções econômicas sob as quais vive o Irã. Essa problemática só seria aliviada com ações concretas de Rohani, para provar ao Ocidente que não há motivo de preocupação sobre uma ação bélica não convencional.

O momento no Oriente Médio é de reflexão das lideranças ocidentais, cujos países sustentam caríssimos serviços secretos, que espionam, com muita cautela, desde atividades políticas a preparos das entidades radicais para ampliar seu poder de ação. Ninguém previu que o povo saíria às ruas, que o mundo árabe entraria numa fase de instabilidade desde 2011. Quem previu no Brasil que as redes sociais conseguiriam mobilizar milhões? Essas reflexões levam as forças dos países ocidentais à conclusão de que nada pode ser previsto. E não é uma boa estratégia as ações preventivas que não seriam mais eficientes.

No caso do Irã, o máximo seria mais um prazo sem solução da questão atômica que, mesmo sob pressão da ONU, não se conseguiu absolutamente nada. E a alternativa do uso preventivo da força, depois do que aconteceu no Iraque e Afeganistão, comprovou-se insuficiente. As questões não resolvidas politicamente têm solução inaceitável.

*Com colaboração de Nelson Burd

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