Oposição do Zimbábue contesta resultado de eleição presidencial na Justiça

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Partido opositor quer anulação de votação que deu vitória a Mugabe e que se convoque nova eleição em 60 dias

Advogados do primeiro-ministro em fim de mandato do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, disseram nesta sexta-feira que entraram com uma queixa na Corte Constitucional contra os resultados das eleições de 31 de julho, que deram ao presidente de longa data Robert Mugabe, de 89 anos, 61% dos votos.

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AP
Porta-voz do MDC, Douglas Mwonzora (C), fala do lado de fora de Corte Constitucional em Harare, Zimbábue

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Os advogados de Tsvangirai disseram ter descoberto que 870 mil nomes foram duplicados nas listas eleitorais. "Vamos apresentar boas provas" de compras de voto e de outras irregularidades, disse o porta-voz do Movimento pela Mudança Democrática (MDC, partido de Tsvangirai), Douglas Mwonzora.

O partido Zanu-PF, de Mugabe, conquistou uma maioria parlamentar de mais de dois terços, com 160 assentos comparados aos 49 do MDC. A contestação judicial à eleição no Parlamento, porém, será apresentada em uma data posterior.

O advogado Chris Mhike afirmou do lado de fora da corte que Tsvangirai quer que as eleições sejam anuladas e inválidas e que uma nova votação aconteça dentro de 60 dias. Mhike disse que a oposição tem informação para mostrar que houve armação e outras irregularidades.

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Tsvangirai alega que fraude aconteceu por meio de uma caótica lista de eleitores. Juízes da Corte Constitucional são considerados leais a Mugabe. Partidários do presidente desconsideram as acusações de fraude na nação do sul da África.

Segundo os advogados do MDC, um número chocante de pessoas não pôde votar, e alimentos e outros tipos de subornos foram usados para persuadir os eleitores a votar em Mugabe.

A queixa é apresentada um dia depois de a comissão eleitoral do Zimbábue ter tido que 305 mil eleitores foram rejeitados no dia da eleição. Segundo o MDC, o número seria de cerca de 900 mil. A margem de vitória de Mugabe seria de cerca de 940 mil votos.

A corte de nove membros do Zimbábue tem até 14 dias para responder à ação legal. Acredita-se que alguns dos juízes sejam leais a Mugabe. Se a corte mantiver os resultados, Mugabe deve tomar posse 48 horas depois da decisão.

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Monitores regionais e africanos elogiaram a votação por ter sido pacífica, mas apontaram algumas irregularidades. Observadores ocidentais não foram convidados a supervisionar a eleição.

Mas um grupo de observação local, a Rede de Apoio Eleitoral do Zimbábue e seus 7 mil observadores, disse que cerca de 1 milhão de eleitores - a maioria em áreas urbanas - foram "sistematicamente privados de seus direitos" a terem sido omitidos da lista de eleitores.

***Com AP e BBC

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