Obama propõe supervisão a monitoramento online e telefônico dos EUA

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Presidente dos EUA anuncia série de passos para atenuar preocupação com ação de agência de espionagem do país

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou uma série de passos nesta sexta-feira com o objetivo de amenizar os temores sobre o escopo das atividades domésticas e externas de monitoramento, dizendo ter confiança de que os programas "não estão sendo usados com abuso", mas que devem ser mais transparentes.

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AP
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Ele não deu nenhuma indicação de que estava pronto para pôr fim à coleta maciça de informação dos telefones e emails dos americanos. As mudanças que o presidente endossou nesta sexta incluem a formação de um painel conselheiro externo para revisar os poderes de monitoramento dos EUA, colocando um oficial privado na Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês), e a criação de um advogado independente para argumentar contra o governo perante a corte de vigilância da nação. Todas essas novas posições realizariam a maior parte de suas tarefas em segredo.

Em sua primeira coletiva desde abril, Obama também explicou sua decisão de cancelar um encontro no próximo mês com o presidente russo, Vladimir Putin, e disse ter apenas um sucesso "parcial" na tentativa de fazer com que as relações entre os dois países avancem.

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A recente decisão da Rússia de conceder asilo ao ex-funcionário de uma prestadora de serviços da NSA Edward Snowden não foi a única razão para cancelar o encontro com Putin, disse Obama.

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Ele encorajou Putin a "pensar para frente, em vez de para trás" em uma longa lista de assuntos que definirão as atuais relações estremecidas no futuro. Em comentários amplos feitos por quase uma hora, Obama também disse que não seria apropriado boicotar as Olimpíadas de Inverno em Sochi, apesar das leis russas que discriminam gays e lésbicas.

Além disso, o presidente afirmou não considerar Snowden, que é acusado em uma corte federal de violações à Lei de Espionagem, como sendo um delator ou "patriota". Ele disse que se Snowden considera que o que fez é legal e direito, deveria voltar aos EUA para defender suas ações.

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Abordando as questões levantadas pelos vazamentos que Snowden fez dos programas de monitoramento secreto do governo, Obama disse que o mundo precisa ser convencido de que a espionagem feita pelos EUA não desrespeita seus direitos. Um dos objetivos da coletiva de Obama foi tentar acalmar o ultraje sobre o programa de espionagem que foi mantido em segredo durante anos e que o governo falsamente negou que alguma vez existiu.

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O governo divulgou mais informações nesta sexta sobre como compila as informações de inteligência dentro e fora dos EUA, além de explicar a base legal para a ampla coleta de registros telefônicos sem mandados judiciais individuais. Esse programa foi autorizado sob o Ato Patriótico, que o Congresso apressadamente aprovou depois dos ataques do 11 de Setembro de 2001.

A NSA diz que os registros telefônicos são as únicas coisas que coleta em grande quantidade sob a lei. Mas autoridades deixaram em aberto a possibilidade de que isso poderia criar bases de dados similares de transações com cartões de crédito, registros em hotéis e buscas na internet.

O governo diz que só olha os registros telefônicos quando investiga suspeitos de terrorismo. Mas testemunhos perante o Congresso revelaram quão fácil é para os americanos com nenhum conexão com o terrorismo terem de forma indesejada seus padrões de chamadas analisados pelo governo.

Quando a NSA identifica um suspeito, analistas podem observar não apenas os registros telefônicos do suspeito, mas também registros de todos para quem ele liga, todos que ligam para ele e assim sucessivamente. Se uma pessoa tivesse telefonado para originalmente 40 pessoas, por exemplo, os analistas permitiriam ao governo investigar os registros de 2,5 milhões de americanos quando analisando um único suspeito de terrorismo.

*Com AP

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