Papa reforça medidas contra corrupção e lavagem de dinheiro no Vaticano

Por iG São Paulo |

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Decreto papal fortalece a supervisão sobre transações para também coibir o 'financiamento do terrorismo'

O papa Francisco emitiu um decreto nesta quinta-feira para reforçar a repressão do Vaticano contra a corrupção, a lavagem de dinheiro e qualquer financiamento do terrorismo. O novo decreto tem a intenção de coibir "a lavagem de dinheiro, o financiamento do terrorismo e a proliferação das armas de destruição em massa", disse o Vaticano.

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AP Photo/Domenico Stinellis
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A ordem executiva fortalece a Autoridade de Informação Financeira criada pelo então para Bento 16 em 2010 para supervisionar as transações financeiras dentro de seu banco interno do Vaticano. Também estabelece uma supervisão para os órgãos do Vaticano envolvidos nas atividades financeiras.

A medida se alinha às recomendações feitas pela comissão francesa Moneyval do Conselho da Europa, que ajuda os países a cumprir os controles internacionais de lavagem de dinheiro.

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Ela também é a mais recente tomada contra abusos do Banco Vaticano, que lida com os fundos da Igreja Católica. O papa recentemente estabeleceu uma comissão para investigar o banco e reportá-lo pessoalmente.

No mês passado, o Vaticano congelou a conta do monsenhor Nunzio Scarano, um clérigo graduado suspeito de envolvimento em lavagem de dinheiro. Ele e outros foram presos pela polícia italiana em junho sob suspeita de tentar transferir 20 milhões de euros ilegalmente.

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O porta-voz do Vaticano, o reverendo Federico Lombardi, disse que o decreto papal era um "passo adicional" nas medidas do Vaticano de nivelar com os padrões internacionais suas regras contra a lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros.

O Vaticano enfrenta um prazo de novembro para atualizar o Moneyval sobre seu progresso já que recebeu uma avaliação ruim sobre sua supervisão financeira no ano passado.

O Banco do Vaticano, que oficialmente é conhecido como Instituto para os Trabalhos Religiosos, lida com a folha de pagamento de 5 mil funcionários. Também gerencia os fundos da administração central da Igreja Católica e tem as contas de cardeais, bispos, padres, freiras e ordens religiosas em todo o mundo. A instituição não empresa dinheiro e tem bens avaliados em US$ 8,3 bilhões.

*Com AP e BBC

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