Obama cancela encontro com Putin em Moscou em meio a tensões por Snowden

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Moscou reage afirmando que decisão 'decepcionante' mostra que EUA não tratam a Rússia como parceiro igual

O presidente dos EUA, Barack Obama, cancelou planos de manter um encontro bilateral com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou no próximo mês, em uma rara reprimenda diplomática.

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AP
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A medida é uma reação à decisão russa de conceder asilo temporário a Edward Snowden, que é acusado de vazar detalhes altamente secretos dos programas de monitoramento da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês). Também reflete a crescente frustração americana com a Rússia em várias questões, incluindo defesa de mísseis e direitos humanos.

Um graduado funcionário da Casa Branca diz que Obama ainda planeja comparecer ao encontro econômico do G20 em São Petersburgo, Rússia, mas não tem planos de se reunir cara a cara com Putin.

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A Rússia reagiu dizendo que a decisão de Obama é decepcionante, mas que o presidente ainda é bem-vindo na Rússia. "Está claro que a decisão se deve à situação em torno do ex-funcionário dos serviços especiais dos EUA Snowden, que não criamos", disse o assessor de política externa de Putin, Yuri Ushakov.  

Segundo Ushakov, a rixa sobre Snowden entre os antigos inimigos da Guerra Fria mostra que Washington não trata a Rússia como parceira igual e reiterou a postura de Moscou de que não poderia entregar o americano de 30 anos porque Rússia e EUA não têm um acordo bilateral de extradição.

"Ao longo dos anos, os americanos evitaram assinar um acordo de extradição (com a Rússia) e constantemente recusaram nossos pedidos para extraditar indivíduos que cometeram crimes na Rússia, referindo-se à falta de tal acordo", disse.

Posição americana

Na terça, Obama disse em uma entrevista estar "desapontado" com a medida russa de conceder asilo a Snowden por um ano. Segundo ele, isso reflete os "desafios subjacentes" que Washington enfrenta ao lidar com Moscou.

"Há momentos em que eles voltam ao pensamento da Guerra Fria e da mentalidade da Guerra Fria", disse em entrevista ao "The Tonight Show", da NBC. Obama e Putin se reuniram em junho, às margens do encontro do G8 na Irlanda do Norte.

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O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que os EUA declararam ao governo russo nesta quarta que Obama acreditava que "seria mais construtivo adiar o encontro até que tenhamos mais resultados de nossa agenda comum". Em vez de visitar Putin em Moscou, Obama acrescentará uma escala na Suécia em seu itinerário de viagem no início de setembro.

O vice-conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Ben Rhodes, disse que a decisão da Rússia de desafiar os EUA apenas piorou uma relação já problemática. E com poucos sinais de que haveria pouco progresso durante a reunião em Moscou em outros itens da agenda, Rhodes afirmou que o presidente decidiu cancelar as conversações.

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"Ainda trabalharemos com a Rússia em questões em que possamos encontrar um caminho comum, mas foi uma visão unânime do presidente e de sua equipe de segurança nacional de que um encontro não faria sentido no ambiente atual", disse Rhodes.

É provável que a decisão de Obama piore o gelo nas relações já frias entre os dois líderes. Eles frequentemente se veem com diferenças em importantes assuntos internacionais, mais recentemente na Síria, com os EUA acusando a Rússia de ajudar o presidente Bashar al-Assad a financiar uma guerra civil. Os EUA também têm sido um crítico aberto da repressão do Kremlin contra seus críticos, e recentemente puniu 18 russos por violações de direitos humanos.

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Moscou acusou Washington de instalar um escudo antimísseis no leste europeu como força de dissuasão contra a Rússia, apesar das garantias americanas de que o escudo não tem como objetivo seu ex-inimigo da Guerra Fria. Putin também assinou no ano passado uma lei que proíbe a adoção de crianças russas por americanos, medida que foi vista como uma retaliação para a decisão dos EUA de abrir caminho para sanções por direitos humanos.

O secretário de Estado John Kerry e o secretário de Defesa Chuck Hagel ainda estão preparando encontros em Washington na sexta-feira com seus homólogos russos. Espera-se que o status de Snowden seja um importante tópico na conversa.

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As rotas de trânsito russas são críticas para os EUA enquanto retiram soldados e equipamentos do Afeganistão. E a Casa Branca sabe que quase certamente precisa de algum nível de cooperação da Rússia para depor Assad na Síria.

Na entrevista de terça, Obama defendeu sua decisão de comparecer ao encontro do G20, uma reunião anual das maiores economias do mundo. Dado o papel dos EUA em uma economia global cada vez mais interdependente, Obama disse que fazia sentido manter a representação de alto nível.

O G20 está previsto para ocorrer em São Petersburgo entre 5 e 6 de setembro. A Casa Branca disse que Obama chegará em Estocolmo, Suécia, em 4 de setembro em sua primeira viagem como presidente à nação do norte europeu. Segundo Rhodes, a Suécia tem sido uma importante parceira americana em questões de energia limpa e fará parte de um acordo comercial dos EUA sob negociação com a União Europeia.

*Com AP e Reuters

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