Irã está pronto para retomar as negociações nucleares, diz novo presidente

Por iG São Paulo |

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Rohani indica que interações do Irã com países ocidentais têm de ser baseadas no 'diálogo, e não em ameaças'

O Irã está pronto para "sérias" e rápidas negociações com as potências mundiais sobre seu controvertido programa nuclear, disse nesta terça-feira o novo presidente, ecoando seus próprios chamados anteriores por um diálogo melhor com o Ocidente.

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AP
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As declarações de Hassan Rohani foram feitas durante sua primeira coletiva como presidente iraniano. O clérigo moderado venceu as eleições presidenciais de junho e tomou posse no domingo.

"Estamos prontos para engajar em negociações sérias e substanciais sem perda de tempo", disse Rohani, porém alertando que as interações do Irã com o Ocidente deveriam ser baseadas no "diálogo, e não em ameaças".

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Muitos iranianos e diplomatas estrangeiros esperam que Rohani, um ex-importante negociador nuclear, possa alcançar um tom mais conciliatório nas negociações. Quatro rodadas de conversações desde o ano passado fracassaram a abrir um caminho significativo.

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Os EUA e seus aliados temem que o Irã está tentando desenvolver uma arma nuclear, acusação que Teerã nega, dizendo que seu programa atômico tem apenas objetivos pacíficos, como geração de energia e produção de isótopos médicos.

Rohani sucedeu a Mahmud Ahmadinejad, que usou uma abordagem linha dura quando lidava com o Ocidente e suas sanções contra o programa atômico iraniano. As sanções afetaram a economia do país fortemente, prejudicando suas vitais exportações do petróleo e bloqueando transações nas redes bancárias internacionais.

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Apesar de todas as políticas iranianas, incluindo a questão nuclear, estarem firmemente nas mãos do líder suprema aiatolá Ali Khamenei, um presidente forte pode influenciar no processo de tomada de decisão. Rohani disse no passado que priorizaria fazer com que as sanções contra o país sejam levantadas."

Ele também reiteradamente afirmou acreditar ser possível obter um acordo que permitiria à República Islâmica continuar enriquecendo urânio - a questão central na controvérsia nuclear e um possível caminho para armas atômicas -, ao mesmo tempo em que asseguraria ao Ocidente que não produzirá armamento nuclear.

Entre os esforços para fazer com que o Irã preste contas sobre suas ambições nucleares, o presidente Barack Obama e outros líderes ocidentais continuam publicamente comprometidos com a diplomacia, embora não descartem a opção militar contra as instalações atômicas iranianas.

Rohani indicou que "não teria nenhum problema em conversar" diretamente com Washington ou com "quem quer que fosse com boa vontade", na medida em que a outra parte esteja "séria em relação às negociações e abandone a linguagem da pressão e da ameaça".

Os EUA cortaram relações diplomáticas com o Irã depois que estudantes militantes invadiram a Embaixada dos EUA em Teerã para protestar contra o apoio de Washington ao deposto xã Mohammad Reza Pahlavi após a revolução de 1979. A revolução depôs a monarquia apoiada pelos EUA e levou ao poder clérigos islâmicos.

*Com AP

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