Para assegurar Israel em processo de paz, EUA tramitam novas sanções contra Irã

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel |

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Após aprovação na Câmara, projeto para aumentar punição a setor petrolífero iraniano segue para o Senado

Enquanto se discute a chance de paz entre israelenses e palestinos e vivem-se a perigosa crise egípcia e os conflitos na Siria, ninguém se lembra do Irã. Mas agosto começou com informações sobre planos de sanções mais fortes dos EUA contra Teerã, para os persas não esquecerem que continuam sob observação.

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AP
Secretário de Estado John Kerry é visto entre a ministra da Justiça de Israel, Tzipi Livni, e o negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, nos Departamento de Estado (31/7)

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O comportamento do Irã é um fator importante na análise das possibilidades do presidente sírio, Bashar Al-Assad, de não ser deposto pelos chamados rebeldes. Os oposicionistas são grupos diversos, e até incompatíveis, incluindo segmentos da Al-Qaeda, que se transformou em um guarda-chuva para grupos e indivíduos do setor mais fanático da seita sunita.

Assad enfatiza que os rebeldes não devem ser armados pela Europa e EUA para que essas armas de maior poder de fogo acabem sob controle da Al-Qaeda, inimiga implacável do vizinho Israel e do Ocidente. O governo sírio segue muito bem apoiado militarmente pelo Irã, país com o qual tem os mais amplos acordos de cooperação.

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Depois de aprovada pela Câmara de Representantes dos EUA, a proposta de aumentar as sanções contra o setor petrolífero iraniano segue para o Senado americano. A movimentação americana pode ser entendida como decorrência dos temores de a Síria virar uma teocracia sob a influência do Irã xiita.

Entretanto, também foi entendida por alguns analistas como reafirmação do compromisso dos EUA de não permitir que o Irã se transforme em potência atômica e, assim, tranquilizar Israel, que nos próximos nove meses terá de fazer concessões dolorosas, como insistentemente declaram os americanos e o próprio governo de Benjamin Netanyahu.

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Os primeiros contatos foram retomados em Washington por Tzipi Livni, ministra da Justiça de Israel, e Saeb Erekat, negociador palestino e professor universitário de Ciência Política, extremamente inteligente, que até agora não se deixou dominar pelo fanatismo. O compromisso é que as negociações sejam retomadas cara a cara em Israel ou na Cisjordânia palestina quando terminar o Ramadã, mês em que os muçulmanos de todas as seitas jejuam do amanhacer ao anoitecer.

Há dias, esse recomeço de tentativa era encarado com ceticismo. As negociações devem se realizar com boa prática diplomática, isoladas dos meios de comunicação. Os serviços secretos israelenses, palestinos e americanos e outros mais deverão vigiar os negociadores para que nenhuma informação vaze, pois questões extremamente delicadas estarão sendo resolvidas.

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As soluções possíveis - acentua-se possíveis e não prováveis - vão contra as posições de setores políticos da direita israelense e de extremistas do Islã, inclusive dos simpatizantes do Hamas (Frente Palestina de Resistência Islâmica), que juram fidelidade ilimitada ao objetivo de destruir o Estado de Israel, como consta em seu programa de ação.

Se os caminhos que levem à paz forem abertos e trilhados, haverá um novo Oriente Médio, de amplos recursos econômicos e intelectuais. Na hipótese contrária, é inimaginável o que poderá acontecer.

*Com colaboração de Nelson Burd

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