Condenado, Berlusconi diz ser vítima de acusações sem fundamento

Por iG São Paulo |

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Em vídeo, ex-premiê italiano afirma que é alvo de 'um assédio jurídico que não corresponde ao mundo civilizado'

O ex-primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi gravou uma mensagem de vídeo de nove minutos depois que a Suprema Corte do país decidiu manter sua condenação à prisão por fraude fiscal. Berlusconi disse ser vítima de acusações que não correspondem com a realidade dos fatos.

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Em vídeo, Silvio Berlusconi comenta sua sentença por fraude fiscal, confirmada por Suprema Corte da Itália

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"Ninguém pode entender o ataque de violência real que tem sido dirigido contra mim após uma incrível série de acusações e julgamentos que não têm qualquer fundamento na realidade", disse.

O ex-premiê descreveu as mais de 50 ações penais que ele vem enfrentando como um "genuíno assédio jurídico que não corresponde ao mundo civilizado". "Em troca dos compromissos que eu fiz em quase 20 anos em favor do meu país e quase chegando ao fim da minha vida pública, eu tive como recompensa acusações e um veredicto que não tem absolutamente nenhum fundamento, que retira minha liberdade individual e meus direitos políticos."

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Na quinta-feira, o Tribunal de Cassação confirmou a condenação a quatro anos de prisão - comutada para um ano sob uma anistia -, mantendo a decisão de um tribunal inferior. A perda do caso na Suprema Corte é a primeira condenação definitiva do ex-premiê italiano em pelo menos duas dezenas de julgamentos.

A corte ordenou, no entanto, que seja realizada uma revisão da proibição ao ex-premiê de ocupar cargos públicos pelo mesmo crime por cinco anos. Outra corte agora terá de determinar por quanto tempo vigorará a proibição. Nesta semana, um promotor recomendou que o banimento seja reduzido para três anos.

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No vídeo, Berlusconi criticou a Justiça italiana, dizendo: "É essa a Itália que queremos? É essa a Itália que amamos? Absolutamente não".

A condenação em última instância de Berlusconi deixa por um fio a frágil coalizão italiana de governo, apesar de os partidários do político conservador garantirem que não abandonarão o governo.

Nesta sexta-feira, o primeiro-ministro Enrico Letta disse estar certo de que os melhores interesses da Itália vão preponderar sobre disputas partidárias. "Estou convencido de que estamos em uma situação em que cada um tem que assumir suas responsabilidades pelos melhores interesses do país", disse a jornalistas. Letta acrescentou que está seguro de que "todos os partidos" vão fazer a coisa certa.

AP
Manifestantes celebram do lado de fora de Suprema Corte da Itália confirmação de condenação de Berlusconi por fraude fiscal (1/8)

O político e comediante Beppe Grillo, líder do Movimento 5 Estrelas, principal grupo de oposição, disse que a condenação de Berlusconi é "igual à queda do Muro de Berlim em 1989".

Berlusconi, de 76 anos, diz ser perseguido por juízes de esquerda desde que entrou para a política em 1994. Por causa de sua idade, a sentença de prisão deve ser cumprida por meio de serviço comunitário ou prisão domiciliar, e seus partidários dizem que ele continuaria dirigindo seu partido do Povo da Liberdade, que fundou e banca.

Apesar de não haver nenhum líder alternativo claro, há uma especulação de que a filha mais velha de Berlusconi, Marina, de 46 anos e presidente de sua holding Fininvest, se tornaria a líder pública do partido após sua condenação.

Os partidários mais linha dura de Berlusconi ameaçaram uma deserção em massa do governo e do Parlamento e um bloqueio das rodovias italianas com manifestações públicas se ele fosse condenado.

Com BBC e Reuters

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