Tamanho do texto

Senado deverá votar medida apoiada por presidente no final do ano; apenas uruguaios poderão consumir droga

Reuters

A Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou na noite de quarta-feira (31) a criação de um órgão do governo para controlar o cultivo e a venda de maconha e permitir que os residentes plantem em casa ou em clubes de fumantes. O uso da maconha já é legalizado no país, mas a venda e o cultivo não são.

Saiba mais: Entenda como o Uruguai planeja legalizar a maconha

Mujica: Maconha merece ‘mais respeito’, diz presidente do Uruguai

Homem fuma maconha do lado de fora do Congresso, onde deputados debatiam legalização da venda da droga
AP
Homem fuma maconha do lado de fora do Congresso, onde deputados debatiam legalização da venda da droga

Leia mais: Uruguai propõe controle estatal sobre produção da maconha

Reação: Colômbia rebate decisão do Uruguai de legalização da maconha

Após horas de debate acirrado, 50 parlamentares votaram a favor do projeto e 46 contra. O Senado deve votar a medida apoiada pelo presidente José Mujica no final deste ano.

Mujica, ex-guerrilheiro de esquerda, diz que a lei vai controlar o comércio de maconha sob diretrizes rigorosas, ajudar a combater as quadrilhas de tráfico de drogas e enfrentar pequenos crimes.

Para evitar tornar o país um destino de turismo de drogas, apenas os uruguaios seriam autorizados a usar maconha.

Maconha: Antes da legalização, ativistas promovem 'Canabis Cup' no Uruguai

Exemplo: Com Uruguai, América do Sul vê caminho para legalização da maconha

Os críticos dizem que a medida corre o risco de contribuir para atrair os uruguaios para drogas mais pesadas e pode irritar outros países latino-americanos que lutam contra a violência relacionada às drogas, como Colômbia e México.

O Uruguai é um dos países mais seguros da América Latina e é considerado um pioneiro na legislação liberal. Mas as pesquisas mostram que a maioria dos uruguaios se opõe à proposta.

"Estamos brincando com fogo", disse o deputado Gerardo Amarilla, membro do Partido Nacional, conservador, opositor ao projeto de lei.

A legislação prevê a criação de um Instituto Nacional de Canabis para controlar a produção e distribuição da droga, impor sanções aos infratores e formular políticas educacionais para alertar sobre os riscos do uso de maconha.

"Você pode controlar a produção e venda, o que vai ocasionar seus próprios problemas, que terão de ser abordados", disse o deputado Julio Bango, um aliado de Mujica em favor da legislação. "Ou você pode ter o que você tem agora, que é o caos."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.