Adversário de Mugabe denuncia fraude nas eleições do Zimbábue

Por iG São Paulo |

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Para Morgan Tsvangirai, votação é 'nula e inválida'; presidente do país nega acusações após fim da eleição

O adversário do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, disse nesta quinta-feira (1º) que as eleições do país foram "nulas e inválidas" devido às supostas violações no processo de votação. Mugabe negou a existência de fraude eleitoral.

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AP
Primeiro-ministro do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, e sua mulher Elizabeth Macheka votam em colégio eleitoral em Harare (31/7)

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O primeiro-ministro Morgan Tsvangirai disse que a eleição de quarta-feira foi manipulada e não cumpriu os padrões eleitorais africanos ou regionais. Um grupo que monitorou a eleição e que não estava afiliado ao Estado disse que a votação foi comprometida por uma campanha para impedir eleitores de depositarem suas cédulas nas urnas.

Mugabe negou as acusações de fraude eleitoral e disse que elas fazem parte de uma campanha difamatória por parte de seus adversários. Os resultados finais da votação serão divulgados na segunda-feira (5).

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As eleições representaram um dos maiores desafios a Mugabe, há 33 anos no poder na ex-colônia britânica do sudeste africano. "A péssima forma com que foi realizada e a consequente ilegitimidade do resultado vão mergulhar o país em uma grave crise", disse Tsvangirai.

Tsvangirai é ex-líder da oposição e se uniu ao partido do presidente em uma coalizão turbulenta. O acordo de compartilhamento do poder foi forjado por líderes regionais depois da última disputada e violenta eleição no Zimbábue em 2008.

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O chefe da missão observadora da União Africana, o ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, disse na noite de quarta-feira que os registros de irregularidades "serão investigados, mas ainda não foram comprovados".

O partido de Mugabe disse nesta quinta-feira que retirou uma mensagem não autorizada publicada em seu Twitter reivindicando uma vitória esmagadora na votação. O partido ZANU-PF disse que aguarda a divulgação dos resultados pela comissão eleitoral estatal, o único órgão que possui permissão para anunciar os resultados das eleições, que contaram com massiva participação popular.

Solomon Zwana, chefe da Rede de Apoio à Eleição no Zimbábue, disse na quinta-feira que foram notados "uma ampla extensão de problemas" na eleição e que a votação foi comprometida por uma campanha que impedia eleitores de depositarem suas cédulas nas urnas. O grupo de monitoramento disse que cerca de 1 milhão dos mais de 6 milhões de eleitores aptos a votar não estavam nas listas.

Os zimbabuanos compareceram em peso às urnas na quarta-feira em uma eleição pacífica se comparada à disputada e violenta votação de 2008. Milhares de eleitores esperaram em filas em Hahare na noite de quarta-feira.

Mugabe, 89 anos, disse que entregaria o poder ao seu opositor caso fosse derrotado. As eleições de 2002 e 2008 foram marcadas por acusações de fraude eleitoral e violência política.

Com AP

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