Israel e palestinos estabelecem prazo de nove meses para alcançar acordo de paz

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Secretário de Estado dos EUA anuncia que nova rodada de negociações ocorre em duas semanas no Oriente Médio

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, anunciou nesta terça-feira que os negociadores israelenses e palestinos concordaram em se encontrar novamente em duas semanas para continuar negociações substantivas para um até agora distante acordo de paz. Ele afirmou que os lados estabeleceram como objetivo um prazo de nove meses para alcançar o pacto.

Reunião privada: Obama se encontra com negociadores israelense e palestino

AP
Secretário de Estado John Kerry é visto entre a ministra da Justiça de Israel, Tzipi Livni (D), e o negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, no Departamento de Estado

Segunda: Israel e palestinos retomam negociações de paz

Falando depois de os dois lados terem terminado a primeira rodada de negociações nesta terça, Kerry disse que eles estavam comprometidos com um diálogo "sustentado, contínuo e substantivo nas questões centrais" que os dividiam. Ele disse que a próxima rodada marcará o início formal das negociações e acontecerá em Israel ou nos territórios palestinos.

"Eles estão à mesa com um único objetivo: uma visão para pôr fim ao conflito, pôr fim a todas as reivindicações", disse Kerry ao fim de dois dias de negociações em Washington. Ele fez as declarações ao lado dos negociadores-chefe dos dois lados que fizeram pronunciamentos breves sobre a necessidade de resolver o conflito de longa data.

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Antes do anúncio, o presidente dos EUA, Barack Obama, reuniu-se na Casa Branca com os negociadores israelense e palestino - a ministra da Justiça de Israel, Tzipi Livni, e o negociador-chefe palestino, Saeb Erekat.

"Sei que o caminho é difícil. Não há uma ausência de céticos apaixonados. Mas com negociadores capazes e respeitáveis estou convencido de que conseguimos chegar lá", disse Kerry. Ele informou que os encontros em Washington foram "construtivos e positivos".

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Além disso, Kerry elogiou a "liderança corajosa" mostrada pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, para chegar a esse ponto. 

Na mesma coletiva, Erekat disse estar "feliz" que todos os assuntos seriam discutidos. "Os palestinos já sofreram o suficiente. É o momento de os palestinos viverem em paz, com liberdade e dignidade dentro de seu próprio Estado soberano."

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Livni disse que, depois de anos de impasse, ela se sentia esperançosa - apesar de não ser ingênua: "É nossa tarefa trabalhar juntos para que possamos transformar a chama de esperança em algo real e duradouro. Acredito que a história não é feita por cínicos. É feita por realistas que não têm medo de sonhar. E que sejamos essas pessoas."

Domingo: Israel aprova libertação de árabes para reiniciar negociações

As negociações de paz entre os dois lados começaram na segunda-feira após três anos de hiato, um dia depois que Israel aprovou a libertação de mais de cem prisioneiros palestinos. O gabinete israelense deu sinal verde para a soltura de 104 prisioneiros palestinos de longa data em quatro estágios durante vários meses, vinculados ao progresso que for obtido no processo de paz.

As identidades dos presos não foram publicadas, mas, de acordo com informações, incluiriam aqueles que mataram israelenses ou informantes palestinos. O gabinete israelense também aprovou o esboço de um projeto de lei requerendo um referendo para qualquer acordo de paz com os palestinos que envolva concessões territoriais.

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Nos últimos cinco meses, Kerry fez seis visitas oficiais ao Oriente Médio em um esforço para reiniciar as negociações. O ex-embaixador dos EUA em Israel Martin Indyk foi nomeado enviado especial dos EUA para o diálogo. O diplomata desempenhou um papel-chave nas negociações de Camp David em 2000, sob o ex-presidente Bill Clinton (1993-2001).

A questão da construção dos assentamentos paralisou as negociações diretas em setembro de 2010. As construções são consideradas ilegais sob a lei internacional, apesar da constestação de Israel.

*Com AP e BBC

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