Autor de vazamentos ao WikiLeaks é condenado por espionagem, roubo e fraude

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Apesar de ter sido absolvido da acusação de conluio com o inimigo, Bradley Manning pode ser sentenciado a 128 anos

A juíza militar Denise Lind absolveu nesta terça-feira o ex-analista de inteligência dos EUA Bradley Manning da mais grave acusação contra ele, de conluio com o inimigo, mas o condenou por espionagem, roubo e fraude por computador ao dar milhares de segredos confidenciais para o site de vazamentos WikiLeaks. Ele pode ser sentenciado a até 128 anos de prisão.

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A juíza deliberou por cerca de 16 horas durante três dias antes de chegar à sua decisão no caso, que atraiu a atenção mundial. Partidários elogiaram Manning, 25, como um delator. O governo americano o chamou de um hacker de computador anarquista e de um traidor que procurava chamar atenção.

O caso WikiLeaks é de longe o vazamento de mais volume de material confidencial na história americana. Entre os partidários de Manning está o autor do vazamento dos Papéis do Pentágono, Daniel Ellsberg, que no início da década de 1970 revelou a história secreta do Departamento de Estado sobre o envolvimento americano no Vietnã mostrando que o governo repetidamente enganou o público sobre a guerra.

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A leitura da sentença de Manning começa na quarta. A acusação de conluio com o inimigo foi a mais séria de 21 acusações e trazia a possibilidade de uma sentença de prisão perpétua.

Seu julgamento foi incomum porque ele reconheceu ter entregado ao WikiLeaks mais de 700 mil relatórios dos campos de batalha e de telegramas diplomáticos (conhecidos como cabos), além de vídeo de um ataque de helicóptero em 2007 que matou civis no Iraque e um fotojornalista da Reuters e seu motorista. Na gravação, os militares riram e chamaram os alvos de "bastardos mortos".

Manning disse que ele vazou o material para expor a "luxúria do Exército por sangue", sua desconsideração pela vida humana e o que considerava o engodo diplomático humano. Ele disse ter escolhido a informação que acreditava que não prejudicaria os EUA, afirmando querer começar um debate na política militar e externa. Ele não prestou testemunho em seu julgamento.

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Manning declarou-se culpado no início deste ano para infrações mais leves que corresponderiam a 20 anos atrás das grades, mas o governo continuou buscando as acusações originais mais sérias.

O advogado de defesa David Coombs retratou Manning como um soldado "jovem, ingênuo, mas bem intencionado" que vivia um turbilhão emocional, parcialmente porque ele era um oficial gay em um período em que homossexuais eram proibidos de servir abertamente no Exército americano.

Coombs disse que Manning poderia ter vendido ou entregado a informação diretamente ao inimigo, mas a deu ao WikiLeaks em uma tentativa de "desatar reforma" e provocar o debate. Uma testemunha de contrainteligência avaliou os documentos de guerra sobre o Iraque e o Afeganistão em US$ 5,7 milhões, com base no que os serviços de inteligência estrangeiros pagaram no passado por informação similar.

Coombs disse que Manning não tinha como saber se a Al-Qaeda acessaria o site de vazamentos, e um relatório de contrainteligência de 2008 mostrou que o próprio governo não sabia muito sobre o WikiLeaks.

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O principal promotor, Ashden Fein, afirmou que Manning sabia que o material seria visto pela Al-Qaeda, um ponto-chave que a acusação precisava para confirmar a acusação de conluio com o inimigo. Mesmo Osama bin Laden tinha alguns dos arquivos digitais em sua residência no Paquistão quando foi morto.

*Com AP

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