"Se uma pessoa é gay e busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?", disse o papa durante viagem

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O papa Francisco afirmou nesta segunda-feira (29), durante conversa com jornalistas em sua viagem de volta do Brasil a Roma, que os homossexuais não devem ser julgados ou marginalizados, e que devem ser integrados à sociedade. No entanto, reiterou o ensinamento da Igreja de que atos homossexuais são pecaminosos.

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Em uma abrangente conversa de 80 minutos com jornalistas no avião que o levou de volta a depois de uma semana no Brasil para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) , Francisco disse também que o veto à ordenação de mulheres no clero é definitivo, mas que ele gostaria que elas assumissem papéis de maior liderança na administração e nas atividades pastorais.

O papa, na primeira entrevista coletiva desde sua eleição, em março, defendeu os gays contra a discriminação, mas repetiu o catecismo universal da Igreja Católica, segundo o qual a orientação homossexual não é pecado, mas os atos homossexuais são.

"Se uma pessoa é gay e busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?", disse o papa. "O catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem. Diz que eles não devem ser marginalizados por causa disso (orientação sexual), e sim que devem ser integrados à sociedade", afirmou ele, em italiano.

Papa Francisco durante coletiva com jornalistas no avião da Alitalia
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Papa Francisco durante coletiva com jornalistas no avião da Alitalia


"O problema não é ter essa orientação. Precisamos ser irmãos. O problema é o lobby por essa orientação, ou lobbies de pessoas ambiciosas, lobbies políticos, lobbies maçônicos, tantos lobbies. Esse é o pior problema", afirmou.

A Igreja Católica prega que não pode ordenar mulheres porque Jesus escolheu apenas homens como apóstolos. Defensores do sacerdócio feminino dizem que Jesus agiu de acordo com os costumes de seu tempo.

Muitos dentro da Igreja, mesmo aqueles que se opõem à ordenação de mulheres, dizem que elas devem ter papéis de liderança tanto na Igreja como na administração do Vaticano.

O pontífice argentino desembarcou na segunda-feira em Roma após uma concorrida visita de uma semana ao Brasil, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, que culminou com uma celebração que reuniu mais de 3 milhões de pessoas na praia de Copacabana, segundo estimativa da prefeitura.

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