Israel e palestinos retomam negociações de paz após quase três anos

Por iG São Paulo |

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Encontro em Washington nesta segunda e terça é passo inicial para diálogo mais amplo que deve durar até 9 meses

Equipes israelenses e palestinos voaram para Washington nesta segunda-feira para pôr fim a quase três anos de impasse diplomático e se preparar para uma nova rodada de negociações de paz do Oriente Médio, apesar de o otimismo ser pequeno depois de duas décadas de tentativas frustradas de alcançar um acordo. Processo de paz foi abandonado em 2010 por causa da insistência de Israel em ampliar assentamentos na Cisjordânia ocupada.

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AP
Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, dá coletiva no Aeroporto Internacional da Rainha Alia, na Jordânia (19/7)

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A retomada das negociações foi possível por causa da decisão tomada no domingo pelo gabinete de Israel de libertar 104 prisioneiros palestinos de longa data em quatro estágios vinculados ao progresso do diálogo. A soltura faz parte de um acordo alcançado previamente neste mês pelo secretário de Estado americano, John Kerry, de levar os dois lados à mesa de negociações.

O presidente dos EUA, Barack Obama, elogiou as negociações, mas alertou que há um caminho duro pela frente. "Isso é um promissor passo à frente, embora exista um trabalho duro e escolhas difíceis adiante", disse em comunicado.

"Tenho esperanças de que israelenses e palestinos abordarão essas negociações com boa-fé e com foco sustentado e determinação", afirmou, acrescentando: "Os EUA estão prontos para apoiá-los ao longo dessas negociações, com o objetivo de chegar a dois Estados, vivendo lado a lado em paz e segurança."

O presidente palestino, Mahmud Abbas, tem relutado em negociar com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, temendo que o líder linha dura rejeite o que os palestinos consideram demandas territoriais mínimas.

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Os palestinos querem um Estado na Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, territórios que Israel capturou na Guerra dos Seis Dias, em 1967, mas aceitaram o princípio de trocas de terra limitadas para permitir a Israel anexar parte das dezenas de assentamentos que construiu em terras conquistadas nos conflitos.

Abbas repetidamente afirmou que apenas irá às negociações se Israel congelar as construções dos assentamentos ou reconhecer as fronteiras anteriores a 1967 como um ponto de partida para desenhar a fronteira de um Estado palestino. Autoridades palestinas reiteraram nesta segunda que receberam garantias americanas de que Washington considera as linhas de 1967 a base para as negociações de fronteiras.

Entretanto, um graduado assessor de Abbas reconheceu, sob condição de anonimato, que Israel não apontou para esse princípio. Funcionários graduados de Israel também reiteraram em dias recentes que as construções dos assentamentos continuarão.

A autoridade palestina disse que a esperada libertação de presos era uma forma de persuadir Abbas a dar uma nova chances às negociações, mesmo sem Israel acatar demandas antigas nos termos de tal diálogo.

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As duas equipes se reunirão pela primeira vez em Washington no fim da noite desta segunda para discussões que não abordarão as questões essenciais do conflito israelo-palestino, mas em vez disso têm o objetivo de pôr as bases para negociações completas de paz no fim deste ano.

O Departamento de Estado dos EUA disse que tentaria estabelecer um plano de trabalho para as negociações mais amplas, previstas para durar entre seis a nove meses.

AFP
Livni, negociadora-chefe de Israel, em foto de 2010

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Israel está representada pela negociadora-chefe Tzipi Livni e Yitzhak Molcho, um conselheiro veterano de Netanyahu. A equipe palestina consiste do chefe-negociador Saeb Erekat e do assessor de Abbas Mohammed Shtayyeh. As reais negociações vão ocorrer na própria região. O secretário de Estado norte-americano indicou o ex-embaixador dos EUA em Israel Martin Indyk como principal enviado para as conversações.

Hanan Ashrawi, um porta-voz palestinos, disse que as negociações serão mantidas sob condições mais difíceis do que diálogos anteriores. Ele citou a divisão política palestina, com o moderado Abbas apoiado pelo Ocidente e o grupo islâmico militante Hamas encarregados de governos rivais na Cisjordânia e em Gaza, além das posições mais duras de Netanyahu em comparação com seu predecessor.

Hamas, que retirou o controle de Gaza de Abbas em 2007, desconsiderou as novas negociações, e o porta-voz do movimento militante, Sami Abu Zuhri, rejeitou nesta segunda a noção de que Abbas representa os palestinos no diálogo.

Hamas quer estabelecer um Estado islâmico em toda a Palestina histórica, incluindo o que agora é Israel. Hamas levantou a possibilidade de cessar-fogos sob algumas circunstâncias, mas deixou claro que não consideraria um acordo de partilha como sendo o fim do conflito israelo-palestino.

A esperada retomada das negociações surge depois de seis meses de árdua diplomacia de Kerry, e o acordo de Israel para libertar prisioneiros antigos foi chave para o sucesso do secretário. A decisão do gabinete foi bem recebida pelos palestinos e atraiu algumas reações de repúdio em Israel.

*Com AP e Reuters

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