Condutor de trem que descarrilou na Espanha é acusado de homicídio

Por iG São Paulo |

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Garzón foi liberado por não apresentar riscos; missa em homenagem as vítimas reunirá autoridades nesta segunda

O condutor de um trem que descarrilou na Espanha deixando 79 mortos foi indiciado provisoriamente no domingo (28) por múltiplas acusações de homicídio por negligência. Em comunicado, o tribunal afirmou que o magistrado Luís Alaez liberou Francisco José Garzón sem pagamento de fiança. O condutor deverá comparecer em audiência uma vez por semana e está proibido de deixar o país sem permissão.

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AP
Policiais fazem guarda enquanto condutor Francisco José Garzón Amo deixou o tribunal após sua libertação em Santiago de Compostela (28/7)


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Garzón não foi para cadeia e nem teve de pagar fiança, porque nenhuma das partes envolvidas sentiu que havia riscos de que ele fugisse ou tentasse destruir evidências do crime. O comunicado afirma que sua licença de motorista foi cassada.

Sob a lei espanhola, seu status legal é que ele é suspeito de estar envolvido em 79 acusações de homicídio por negligência, mas não foi formalmente indiciado.

O condutor foi interrogado por cerca de duas horas no tribunal em Santiago de Compostela, cidade a noroeste do país onde o acidente ocorreu. Garzón levava 218 passgeiros em oito vagões que descarrilaram em uma curva fechada na quarta-feira (24). Os primeiros indícios apontam que o condutor ia a uma velocidade muito acima da permitida naquele trecho do percurso - 80 km/h.

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Segundo o jornal espanhol El País, o condutor reconheceu ao juiz que o trem viajava rápido demais, mas deixou de prestar atenção por um breve momento.

A agência ferroviária da Espanha disse que o condutor deveria ter freado cerca de quatro quilômetros antes da curva. Entetanto, um residente local que compareceu à cena do acidente na quarta-feira disse no domingo à televisão espanhola que, após o acidente, Garzón teria dito a ele que estava indo rápido demais e não conseguiu frear.

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"Ele disse para nós que queria morrer", disse Iglesias ao canal Antena 3. "Ele disse que precisava ter freado, mas não conseguiu." Ele acrescentou que Garzón teria dito que "estava indo rápido".

Os investigadores agora precisam determinar se Garzón cometeu um erro ao não frear ou se se tratou de um problema técnico. A companhia estatal ferroviária descreveu Garzón como um experiente motorista que conhecia bem o percurso.

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No domingo, o número de mortos subiu para 79 quando uma passageira ferida internada no Hospital Universitário em Santiago de Compostela morreu, segundo informaram autoridades. Ela foi identificada como Myrta Fariza, americana de Houston, informou a família dela em comunicado.

Autoridades disseram que 70 feridos no acidente continuam hospitalizadas, 22 deles em estado grave. Especialistas forenses também identificaram os últimos três corpos entre os 79 mortos. Há vítimas da Argélia, República Dominicana, França, Itália, México e EUA. Um brasileiro que também possuía nacionalidade espanhola morreu no acidente.

Policiais fazem guarda enquanto condutor Francisco José Garzón Amo deixa o tribunal após sua libertação em Santiago de Compostela (28/7). Foto: APParte externa do trem é vista no local do acidente em Santiago de Compostela, noroeste da Espanha (26/7). Foto: ReutersParentes de vítimas de acidente de trem em Santiago de Compostela, na Espanha, reagem ao receber notícias (25/7). Foto: APBombeiros e equipes de resgate inspecionam vagão no local de acidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha. Foto: APVagões descarrilados são removidos com guindastes dos trilhos em Santiago de Compostela, Espanha (25/7). Foto: APMulher reage em posto de informações para familiares montado após acidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha. Foto: APPrimeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, visita local de acidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha (25/7). Foto: APCondutor do trem Francisco José Garzón Amo recebe ajuda de dois homens ao ser retirado do local do acidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha (24/7). Foto: APEquipes respondem à situação de emergência após descarrilamento de trem em Santiago de Compostela, Espanha (24/7). Foto: APFerida é retira de vagão após acidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha (24/7). Foto: APEquipes de emergência atendem vítimas de descarrilamento de trem em Santiago de Compostela, na Espanha (24/7). Foto: APDescarrilamento de trem em Santiago de Compostela é o pior acidente do tipo em 40 anos (24/7). Foto: APEquipes respondem à situação de emergência após descarrilamento de trem em Santiago de Compostela, Espanha (24/7). Foto: APEquipes de emergência comparecem a local onde trem descarrilou em Santiago de Compostela, Espanha (24/7). Foto: APEquipes de emergência atendem vítimas de descarrilamento de trem em Santiago de Compostela, na Espanha (24/7). Foto: APAcidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha, deixou mortos e dezenas de feridos (24/7). Foto: Alén Pérez/ TwitterEquipes de resgate trabalham para retirar vítimas de um trem após descarrilamento em Santiago de Compostela, Espanha (24/7). Foto: ReutersTrem descarrila em Santiago de Compostela, na Espanha (24/7). Foto: Alén Pérez/ TwitterO trem, que levava ao menos 240 passageiros, descarrilou na curva mais fechada do trajeto (24/7). Foto: Alén Pérez/TwitterImagem reproduzida de vídeo mostra vagões destruídos após acidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha (24/7). Foto: Reprodução

Vídeo: Sobrevivente relata que vagões de trem rolaram várias vezes

Nesta segunda-feira, a família real espanhola e políticos importantes do país planejam uma missa em homenagem aos 79 mortos no acidente, o pior do tipo na Espanha em 40 anos. Entre os presentes confirmados estão o príncipe Felipe e sua irmã, princesa Elena, além do premiê Mariano Rajoy.

Com AP e Reuters

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