Condutor de trem de alta velocidade que descarrilou depõe na Espanha

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Francisco Garzón é suspeito de homicídio negligente. Número de mortos no acidente aumentou para 79

Reuters

O condutor do trem que descarrilou na quarta-feira (24), no noroeste da Espanha, foi levado perante um juiz neste domingo (28) para dar o seu depoimento sobre o acidente. As autoridades estão tentando determinar em que medida ele foi responsável pela morte de 79 pessoas.

Francisco Garzón, 52 anos, recebeu alta do hospital no sábado (27), onde estava internado com ferimentos na cabeça, e foi detido oficialmente na sexta-feira sob suspeita de homicídio negligente. O condutor, no entanto, não foi formalmente acusado por um magistrado.

AP
Condutor do trem Francisco José Garzón Amo recebe ajuda de dois homens ao ser retirado do local do acidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha

Garzón estava viajando mais de duas vezes acima dos 80 km por hora permitidos em uma curva acentuada em direção à cidade de Santiago de Compostela, quando o trem descarrilou e bateu em um muro.

O número de mortos do pior desastre de trem da Espanha em décadas aumentou para 79 depois que uma pessoa ferida morreu neste domingo. Setenta pessoas permanecem no hospital com ferimentos decorrentes do acidente, que amassou o trem e levou ao incêndio de alguns vagões. Entre os internados, 22 estão em estado grave.

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Depois do acidente, Garzón chegou a falar com o centro de controle do sistema de trem e com as equipes de emergência. Alguns jornais espanhóis informaram que as transcrições destas comunicações mostram que o condutor reconheceu que estava indo rápido demais.

No entanto, o ministro do Interior espanhol, Jorge Fernandez, disse neste sabado que não havia provas suficientes para acusar Garzon de homicídio imprudente.

Assista momento em que trem descarrila em 

Garzón, que foi liberado do hospital no sábado ainda sob custódia da polícia, chegou ao principal tribunal de Santiago de Compostela na tarde deste domingo, em um carro da polícia com janelas escuras.

O juiz irá investigar o caso e também vai analisar se o trem, as faixas ou o sistema de segurança que retarda os trens estavam com problemas.

Policiais fazem guarda enquanto condutor Francisco José Garzón Amo deixa o tribunal após sua libertação em Santiago de Compostela (28/7). Foto: APParte externa do trem é vista no local do acidente em Santiago de Compostela, noroeste da Espanha (26/7). Foto: ReutersParentes de vítimas de acidente de trem em Santiago de Compostela, na Espanha, reagem ao receber notícias (25/7). Foto: APBombeiros e equipes de resgate inspecionam vagão no local de acidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha. Foto: APVagões descarrilados são removidos com guindastes dos trilhos em Santiago de Compostela, Espanha (25/7). Foto: APMulher reage em posto de informações para familiares montado após acidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha. Foto: APPrimeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, visita local de acidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha (25/7). Foto: APCondutor do trem Francisco José Garzón Amo recebe ajuda de dois homens ao ser retirado do local do acidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha (24/7). Foto: APEquipes respondem à situação de emergência após descarrilamento de trem em Santiago de Compostela, Espanha (24/7). Foto: APFerida é retira de vagão após acidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha (24/7). Foto: APEquipes de emergência atendem vítimas de descarrilamento de trem em Santiago de Compostela, na Espanha (24/7). Foto: APDescarrilamento de trem em Santiago de Compostela é o pior acidente do tipo em 40 anos (24/7). Foto: APEquipes respondem à situação de emergência após descarrilamento de trem em Santiago de Compostela, Espanha (24/7). Foto: APEquipes de emergência comparecem a local onde trem descarrilou em Santiago de Compostela, Espanha (24/7). Foto: APEquipes de emergência atendem vítimas de descarrilamento de trem em Santiago de Compostela, na Espanha (24/7). Foto: APAcidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha, deixou mortos e dezenas de feridos (24/7). Foto: Alén Pérez/ TwitterEquipes de resgate trabalham para retirar vítimas de um trem após descarrilamento em Santiago de Compostela, Espanha (24/7). Foto: ReutersTrem descarrila em Santiago de Compostela, na Espanha (24/7). Foto: Alén Pérez/ TwitterO trem, que levava ao menos 240 passageiros, descarrilou na curva mais fechada do trajeto (24/7). Foto: Alén Pérez/TwitterImagem reproduzida de vídeo mostra vagões destruídos após acidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha (24/7). Foto: Reprodução

O trem Alvia, um dos três tipos de serviços de trem de alta velocidade que circulam na Espanha, havia passado por uma manutenção completa na manhã da viagem, segundo o chefe da companhia ferroviária estatal (Renfe). Ele disse que os sistemas de segurança estavam em boas condições. "Até onde sabemos o trem estava em perfeita condição quando ele partiu para sua jornada", disse Julio Gomez-Pomar ao jornal ABC.

Os trens Alvia rodam tanto em pistas tradicionais, onde os motoristas devem acatar aos sistemas de alerta para reduzir a velocidade, como em trilhos de alta velocidade, onde um sistema de segurança mais sofisticado pode abrandar automaticamente trens que estão indo rápido demais.

Na parte da pista onde aconteceu o acidente, estava a cargo do condutor reagir às solicitações para diminuir o ritmo. Mas Gomez-Pomar rejeitou as críticas de que o sistema de segurança era insuficiente, dizendo que o debate "não faz muito sentido."

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