Paz com palestinos é urgente necessidade estratégica para Israel

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel |

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Perante novos perigos que ameaçam Estado israelense, governo prepara consulta popular sobre eventual acordo

Não há no momento muito otimismo sobre a reunião em Washington com representantes israelenses e palestinos. Enquanto isso, Israel providencia legislação autorizando consulta popular com a expectativa de que o mesmo se faça no outro lado. O presidente Shimon Peres, que mantém excelentes relações com Mahmud Abbas, diz que não ter dúvidas: o caminho aberto para paz será aprovado pelos dois povos.

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AP
Palestinos caminham em direção a posto de controle de Israel em seu percurso para as preces na Mesquita de Al-Aqsa, Jerusalém, no mês do Ramadã (26/7)

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O fato do que se sente não modifica o que é desejado. Para Israel, como declarou o premiê Benjamin Netanyahu, a paz é uma urgente necessidade estratégica, inclusive pelos novos perigos que ameaçam o Estado judeu. Segundo analistas israelenses, o presidente sírio não perderá a guerra civil e poderá se prolongar no poder. No lado dos rebeldes, houve implantação de grupos da Al-Qaeda e outras organizações terroristas, enquanto poderosas forças do Hezbollah ajudam Bashar al-Assad.

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Os sunitas do Líbano protestam com firmeza contra o auxílio do xiita Hezbollah ao governo sírio, lembrando que, além de uma força independente, é um partido político, membro do Executivo local. O país está instável e não se pode esquecer também da aliança entre Síria e Irã.

O deserto do Sinai está tomado por grupos jihadistas, contra os quais forças egípcias têm atuado. O governo provisório ainda está se organizando após a deposição no dia 3 do presidente islamita Mohammed Morsi. Os militares fizeram apelos à população para que saíssem às ruas na sexta, em sinal de apoio à decisão do Exército de agir contra supostas células terroristas internas.

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Mas, com o uso das redes sociais e outros meios, a Irmandade Muçulmana, que dava todo o apoio a Morsi, também organizou uma demonstração oposta à das Forças Armadas.

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A manutenção da paz de Israel com o Egito é fundamental para a segurança israelense. O Exército israelense reforçou a guarda de fronteira, através da qual os terroristas do Sinai tentam se infiltrar. É óbvio que as perspectivas abrangem todas hipóteses possíveis.

A retomada das negociações de paz entre israelenses e palestinos implicará em debates e entendimentos sobre as mais delicadas questões, desde traçar uma fronteira entre os dois territórios até a divisão das águas. Além disso, será necessário resolver a questão de 400 mil judeus assentados em colônias na Cisjordânia e evitar que o novo Estado Palestino seja militarizado, pois seu inimigo Hamas pode assumir o poder em eleições.

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No final das contas, apesar de ter poderosas forças militares, trata-se de um país de 20 mil km² e 8 milhões de habitantes. Consulte qualquer mapa para verificar o tamanho e população dos reconhecidos inimigos de Israel. E tudo isso ocorre no mês do Ramadã, quando centenas de milhões de muçulmanos jejuam da manhã à noite. O que deve fazer bem à alma, mas, talvez, não ao estado de nervos da população.

*Com colaboração de Nelson Burd

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