Francisco Garzón Amo está ferido e internado no hospital; polícia espanhola rebaixa número de mortos de 80 para 78

O condutor do trem que descarrilou na quarta-feira (24) no noroeste da Espanha e deixou dezenas de mortos foi formalmente detido nesta sexta-feira (26), informou o chefe da polícia federal para a região da Galícia, Jaime Iglesias. Segundo Iglesias, o condutor Francisco José Garzón Amo está no hospital onde se recupera dos ferimentos.

Quarta: Trem descarrila em Santiago de Compostela, na Espanha

Condutor do trem Francisco José Garzón Amo recebe ajuda de dois homens ao ser retirado do local do acidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha
AP
Condutor do trem Francisco José Garzón Amo recebe ajuda de dois homens ao ser retirado do local do acidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha


Revisão: Polícia rebaixa número de mortos de 80 para 78 na Espanha

Iglesias afirmou nesta sexta que Garzón Amo seria interrogado "como um suspeito por um crime relacionado à causa do acidente". Ele disse que o condutor está sendo vigiado pela polícia e ainda não pôde testemunhar por causa de sua condição médica. Iglesias não tinha detalhes de seu estado de saúde, mas disse que sua condição deveria atrasar o seu testemunhos.

Policiais científicos que examinam os restos dos mortos no pior acidente de trem na Espanha em 40 anos rebaixaram o número de mortos de 80 para 78 na sexta-feira e afirmaram que a contagem poderia mudar conforme eles trabalham para identificar e associar os restos mortais das vítimas.

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A revisão do número de mortos foi feita depois que cientistas forenses combinaram partes de corpos em um necrotério improvisado estabelecido em um ginásio de esportes em Santigago de Compostela, na região noroeste da Galícia, onde o acidente de trem ocorreu na quarta-feira, pouco depois de deixar a periferia da cidade, disse Antonio de Amo, o chefe da polícia a cargo do serviço científico para a polícia federal da Espanha.

De Amo disse que a polícia ainda trabalha para identificar o que acreditam ser os restos mortais de seis vítimas.

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Desde quinta-feira (25), os investigadores estavam em posse das "caixas pretas" do trem, que estava em alta velocidade e descarrilou em uma curva fechada, informou a porta-voz do tribunal María Pardo Ríos na sexta-feira. As caixas gravam os dados da viagem do trem, incluindo velocidade, distâncias e frenagem e são similares às caixas pretas de aviões.

Fontes ouvidas pelo jornal espanhol El País informaram que quando o trem alcançou a velocidade de 190 km/h, o condutor Garzón Amo foi advertido por um sinal em seu painel de que deveria reduzir para 80 km/h - limite permitido na fechada curva localizada a quatro quilômetros da estação de Santiago de Compostela.

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Também segundo o jornal, depois que o trem descarrilou, Garzón Amo ligou de seu celular para o serviço de emergência 24 horas e disse: "Tinha que ir a 80 e vou a 190". Na gravação, já enviada na noite de quarta-feira para a Justiça, o condutor usa a frase no presente apesar de o acidente já ter ocorrido. 

O El País informa que ele também falou sobre os "pobres passageiros" e expressa seu desejo de que "espero que não tenha mortos". 

Sistema de freios

Um outro fator que pode ter contribuído para o acidente é a ausência de um sistema de frenagem mais moderno no trecho em que o trem da Renfe descarrilou na quarta. 

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O trem envolvido no acidente circulava em uma rede de alta velocidade que utiliza o ERMTS (Sistema Europeu de Gestão de Tráfico Ferroviário). Tal sistema é formado por uma série de dispositivos posicionados no trilho - chamados eurobalizas - que impedem o condutor de exceder a velocidade máxima permitida.

Caso o limite seja atingido, o próprio trem reduz automaticamente a velocidade e inclusive informa ao condutor para que ele tome as medidas necessárias. Se o condutor não reduzir a velocidade, o sistema automatizado freia o trem imediatamente como medida de segurança.

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Entretanto, o trecho no qual descarrilhou o trem não contava com esse mecanismo de frenagem europeu. Fontes do sistema ferroviário afirmaram ao jornal espanhol El Mundo que "o problema é que justamente a 300 metros da curva, na saída de um túnel, termina esse sistema ERMTS e começa outro mais antigo, o ASFA (Anúncio de Sinais e Frenagem Automático)".

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O sistema ASFA necessita de uma série de sinais luminosos para se comunicar com a cabine do condutor, diferente do ETCS, que mantém uma comunição constante com a cabine.

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