Soldado que vazou documentos ao WikiLeaks traiu seu país, diz promotoria

Por iG São Paulo |

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Em argumentos finais, acusação afirma que Bradley Manning vazou segredos americanos para ficar famoso

AP
Soldado Bradley Manning (D) é escoltado para sala judicial em Fort Meade antes de audiência em corte marcial (18/7)

O soldado Bradley Manning traiu a confiança de seu país e vazou os segredos do governo para ficar famoso, sabendo que o material vazado seria visto pela Al-Qaeda, incluindo pelo ex-líder da rede terrorista Osama bin Laden, disseram os promotores nesta quinta-feira nos argumentos finais do julgamento.

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Ashden Fein afirmou que o ex-analista de inteligência no Iraque não era o soldado problemático e ingênuo retratado pelos advogados da defesa. Fein mostrou uma foto de um sorridente Manning em 2010 — ano em que ele entregou material sensível ao WikiLeaks — e disse "esse é um Manning contente e sarcástico" que enviou relatórios do campo de batalha ao site de vazamentos com a mensagem: "Tenha um bom dia."

Manning é acusado por 21 ofensas, mas a mais séria é a de conluio com o inimigo, que traz a possibilidade de uma sentença de prisão perpétua. Seus advogados argumentaram não haver evidências de que ele sabia que a Al-Qaeda olhava especificamente o WikiLeaks.

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O americano de 25 anos nascido em Crescent, Oklahoma, reconheceu ter entregue ao site de vazamentos centenas de milhares de documentos dos campos de guerra, telegramas diplomáticos (conhecidos como cabos) e vídeos entre o final de 2009 e o início de 2010. Mas ele disse não acreditar que a informação prejudicaria os soldados no Afeganistão e Iraque ou ameaçaria a segurança nacional.

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O material incluiu vídeo de um ataque de um helicóptero americano Apache que matou 11 homens, incluindo um fotojornalista da Reuters e seu motorista. Uma investigação militar concluiu que os soldados confundiram o equipamento do fotógrafo com armas.

Fein, o principal promotor militar, disse que Manning tinha uma plaquinha de identificação com a palavra "humanista" gravada nesta, mas "o único ser humano que lhe importava era ele mesmo".

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Promotores apresentaram provas de que cópias digitais de alguns dos documentos vazados por Manning foram encontradas na residência de Bin Laden quando ela foi invadida e o líder terrorista, morto. Mas os promotores têm de provar que Manning sabia que a Al-Qaeda veria o material para alcançar uma condenação sobre a acusação mais séria.

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Fein também citou trechos de conversas online entre Manning e o condenado hacker de computador Adrian Lamo para tentar mostrar que o soldado sabia que prejudicaria diplomatas ao divulgar o material. "Hilary Clinton e vários milhares de diplomatas em todo o mundo terão um ataque cardíaco", Manning escreveu a Lamo em um chat citado por Fein. Lamo entregou o soldado às autoridades em maio de 2010.

A juíza militar Denise Lind, e não um júri, acompanha o caso sob pedido de Manning. Lind deliberará depois dos argumentos finais da defesa. Não está claro quando ela tomará uma decisão.

*Com AP

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