Mídia espanhola diz que excesso de velocidade na curva fechada pode ter causado acidente; 95 seguem internados

Subiu para 80 o número de mortos no descarrilamento de um trem de passageiros em Santiago de Compostela, noroeste da Espanha, informaram autoridades nesta quinta-feira (25). Parentes das vítimas soluçavam e se abraçavam perto de um necrotério improvisado montado em um ginásio de esportes, enquanto investigadores tentam determinar a causa do acidente.

Saiba todas as notícias do acidente em Santiago de Compostela

Parentes de vítimas envolvidos em um acidente de trem aguardam por notícias do lado de fora de um posto de informações em Santiago de Compostela, Espanha
AP
Parentes de vítimas envolvidos em um acidente de trem aguardam por notícias do lado de fora de um posto de informações em Santiago de Compostela, Espanha

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O trem saiu dos trilhos e ao menos um passageiro afirmou a uma estação de rádio que ele estava aparentemente indo rápido demais ao entrar em uma curva fechada próximo à estação da cidade católica na véspera de um festival religioso importante.

Os dois condutores do trem sobreviveram ao acidente e, segundo autoridades, um deles está sendo investigado pela polícia . O presidente da estatal ferroviária Renfe, Julio Gómez Pomar, disse que o trem envolvido no acidente não apresentou problemas técnicos.

O jornal espanhol El País informou que fontes ligadas a investigação disseram que um dos condutores havia dito que dirigia a 190 km/h em uma curva fechada, cuja velocidade máxima permitida é de 80 km/h. 

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O Ministério do Interior elevou o número de mortos para 80 nesta quinta-feira, enquanto 95 vítimas permanecem internadas em hospitais, 36 em estado grave, entre eles quatro crianças. Segundo o jornal local La Voz de Galícia, uma criança de dois anos está entre os mortos.

Parentes de vítimas envolvidas em um acidente de trem reagem em centro de informações em Santiago de Compostela, Espanha
AP
Parentes de vítimas envolvidas em um acidente de trem reagem em centro de informações em Santiago de Compostela, Espanha

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Autoridades não identificaram formalmente as causas para o acidente, mas uma porta-voz do Ministério do Interior da Espanha disse nesta quinta-feira que a possibilidade do descarrilamento ser um ataque terrorista já foi descartada. Ela também falou em condição de anonimato.

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Esse foi o acidente de trem mais mortal na Espanha desde 1972, quando um trem colidiu com um ônibus no sudoeste do país, matando 86 pessoas e ferindo 112. O primeiro-ministro Mariano Rajoy, que nasceu em Santiago de Compostela, compareceu ao local do acidente nesta quinta-feira com as equipes de resgate e depois foi ao hospital visitar passageiros feridos. O premiê vai declarar três dias de luto em todo o país.

Aparentando tristeza, Rajoy afirmou a repórteres que para um "nativo de Santiago, como eu, esse é o dia mais triste". Ele disse que foram abertas duas investigações, uma judicial e outra que será conduzida pelo Ministério de Serviços Públicos para determinar a causa do descarrilamento o mais rápido possível. 

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Autoridades na cidade cancelaram as cerimônias do seu festival religioso anual que atrai milhares de cristãos ao redor do mundo. "O dia 24 de hjulho não será mais a véspera de um dia de celebração, mas em vez disso um dos dias mais tristes da história da Galícia", disse Alberto Nuñez Feijóo, presidente da região da Galícia, cuja capital é Santiago de Compostela.

Equipes de resgate passaram a noite entre os vagões destruídos ao lado dos trilhos, e Pardo afirmou que era possível que o número de mortos aumentasse. Muitos dos mortos foram levados a um necrotério improvisado montado em um ginásio de esportes, onde policiais e autoridades judiciais estavam identificando os corpos. Parentes das vítimas choravam e se abraçavam em um posto de informações para familiares perto dali conforme conseguiam informações sobre seus entes queridos

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Rocio Mosquera, autoridade do Ministério da Saúde da Galícia, disse a repórteres em uma coletiva concedida na manhã de quinta-feira que 141 passageiros do trem receberam tratamentos em hospitais, alguns com ferimentos leves outros em estado grave. Alguns ainda estavam em cirurgia horas depois do acidente, enquanto outros já haviam recebido alta.

Ao amanhecer, guindastes foram enviados para cena para erguer os vagções e tirá-los dos trilhos. Equipes de resgate recolheram as bagagens dos passageiros e colocaram-nas em um caminhão.

O local do acidente se transformou em uma cena de horror logo depois do descarrilamento. Fumaça era vista saindo de pelo menos um vagão que pegou fogo, outro se rompeu em duas partes. Residentes do bairro vizinho aos trilhos para ajudar as vítimas presas nos vagões tombados.

Equipes de resgate colocaram os corpos em linha, cobertos com mantas, ao longo dos trilhos e alguns passageiros foram retirados através de janelas quebradas. A operadora ferroviária estatal Renfe disse em comunicado que um número não especificado de tripulantes estavam a bordo do trem quando às 20h41 do horário local houve o acidente. 

Enviados da Renfe e Adif, a empresa estatal responsável pelos trilhos, e de outra empresa ferroviária estavam coperando com um juiz indicado para investigar o acidente.

Esse foi o terceiro grande desastre ferroviário ocorrido somente neste mês. Em 12 de julho, seis pessoas morreram e 200 ficaram feridas quando quatro vagões de um trem de passageiros descarrilaram ao sul de Paris . Em 6 de julho, 72 vagões levando petróleo cru descarrilaram em Lac-Megantic, Ontário, provocando explosões e incêndios que deixaram 72 mortos.

Peregrinos católicos vão a Santiago de Compostela anualmente para celebrar o festival em honra a são Tiago, discípulo de Jesus cujos restos mortais repousam em um santuário. A cidade é o principal ponto de encontro dos fiéis que fazem o Caminho de Santiago.

Muitos passageiros feridos disseram ter sentido uma forte vibração pouco antes dos vagões saírem dos trilhos, disse Xabier Martínez, um fotógrafo que conversou com eles após chegar ao local do acidente.

O passageiro Ricardo Montero disse à rádio Cadena Ser que "quando o trem chegou na curva começou a virar muitas vezes, e alguns vagões caíram em cima das pessoas, deixando muitas delas presas". Outro passageiro, Sérgio Prego, disse à rádio que o trem "viajava muito rápido" pouco antes do descarrilamento. "Eu tive muita sorte, porque sou um dos poucos que conseguiu sair andando", disse.

Assista ao vídeo do momento do acidente:


O trem Alvia 730 começou sua viagem em Madri e estava programado para finalizar seu trajeto em El Ferrol, cerca de 95 km ao norte de Santiago de Compostela. Alvias são trens de alta velocidade, mas não atingem uma velocidade tão alta quanto os trens-bala AVEs.

Com AP e Reuters

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