Segundo El País, maquinista diz ter entrado em curva a 190 km/h; ministro do país diz ser cedo para determinar causas

Um dos condutores do trem que descarrilou em Santiago de Compostela, na Espanha, foi colocado sob investigação pela polícia, depois que ao menos 80 passageiros morreram e mais de 130 ficaram feridos em um dos piores acidentes do tipo registrados na Europa.

Antes de acidente na Espanha: 'Vou a 190 km/h!', disse maquinista

Tragédia: Sobe para 80 número de mortos em acidente de trem na Espanha

Imagem aérea mostra local de acidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha
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Imagem aérea mostra local de acidente de trem em Santiago de Compostela, Espanha

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Imagens de vídeo dramáticas captadas por uma câmera de segurança e publicadas em primeira mão pelo jornal El País mostraram o trem batendo contra uma parede de concreto enquanto entrava em uma curva acentuada na noite de quarta-feira (24).

O governo da Galícia afirmou que o trem tinha dois condutores, e o que foi internado após ter ficado preso nas ferragens estava sob investigação. "Ele não foi indiciado por um juíz no momento - está tudo no nível da polícia", informou a porta-voz da Suprema Corte de Galícia, María Pardo Rios.

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Testemunho: Sobreviventes relatam ter ficado 'rodeados de mortos'

Segundo o jornal El País, o maquinista que ficou ferido informou à estação ferroviária por rádio antes do acidente que o trem estava a uma velocidade de 190 km/h . Segundo a publicação, a velocidade máxima permitida nessa parte do trajeto é de 80 km/h.

Parentes de vítimas envolvidas em um acidente de trem reagem em centro de informações em Santiago de Compostela, Espanha (24/7)
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Parentes de vítimas envolvidas em um acidente de trem reagem em centro de informações em Santiago de Compostela, Espanha (24/7)

"Somos apenas humanos! Somos apenas humanos", teria afirmado após o acidente o condutor, que ficou preso entre as ferragens da cabine, segundo o jornal, que cita fontes relacionadas à investigação. "Espero que não haja mortos, porque isso recairá sobre minha consciência."

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Segundo testemunhas relataram a jornais espanhóis, o outro condutor, que ajudou no resgate das vítimas, foi visto perambulando por entre os vagões e os corpos: "Descarrilei! O que vou fazer?"

A tragédia aconteceu na véspera de um importante festival religioso na cidade a noroeste da Espanha às 20h41 no horário local (15h41 de Brasília) da quarta-feira. Autoridades disseram que passageiros de várias nacionalidades estavam entre os 130 feridos, dos quais 36, incluindo quatro crianças, estavam em estado grave.

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No local do acidente, descrito por autoridades como uma cena do inferno, corpos cobertos com mantas jaziam em linha ao longo dos trilhos do trem, perto de vagões revirados e destruídos, enquanto fumaça era vista dos destroços entre passageiros sobreviventes ensanguentados.

Uma autoridade espanhola disse que o excesso de velocidade pode ter sido a causa do descarrilamento, mas o ministro de Obras Públicas disse que era cedo demais para dizer o que de fato aconteceu.

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O El País citou fontes próximas à investigação dizendo que o trem estava viajando a uma velocidade que superava o dobro da permitida na curva acentuada e o prefeito de Santiago de Compostela afirmou que o trem, provavelmente, estava indo rápido demais.

Esse foi o acidente de trem mais mortal na Espanha desde 1972 , quando um trem colidiu com um ônibus no sudoeste do país, deixando 86 mortos e 112 feridos. O primeiro-ministro Mariano Rajoy, que nasceu em Santiago de Compostela, compareceu ao local do acidente nesta quinta com as equipes de resgate e depois foi ao hospital visitar passageiros feridos. O premiê vai declarar três dias de luto em todo o país.

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Aparentando tristeza, Rajoy afirmou a repórteres que para um "nativo de Santiago, como eu, esse é o dia mais triste". Ele disse que foram abertas duas investigações, uma judicial e outra que será conduzida pelo Ministério de Obras Públicas para determinar a causa do descarrilamento o mais rápido possível.

Autoridades na cidade cancelaram as cerimônias do seu festival religioso anual que atrai milhares de cristãos ao redor do mundo. "O dia 24 de julho não será mais a véspera de um dia de celebração, mas em vez disso um dos dias mais tristes da história da Galícia", disse Alberto Nuñez Feijóo, presidente da região da Galícia, cuja capital é Santiago de Compostela.

Esse foi o terceiro grande desastre ferroviário que aconteceu somente neste mês. Em 12 de julho, seis pessoas morreram e 200 ficaram feridas quando quatro vagões de um trem de passageiros descarrilaram ao sul de Paris . Em 6 de julho, 72 vagões levando petróleo cru descarrilaram em Lac-Megantic, Ontário, provocando explosões e incêndios que deixaram 72 mortos.

Com AP e Reuters

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