Em protesto há 40 dias, centenas cercam prédio para tentar depor governo socialista que assumiu neste ano

A polícia na Bulgária usou a força contra manifestantes que tentaram evitar a retirada de ministros e legisladores cercados dentro do Parlamento em Sófia. Quatro pessoas ficaram feridas.

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Manifestantes opostos ao governo socialista tentam impedir passagem de ônibus com legisladores em Sófia, Bulgária
Reuters
Manifestantes opostos ao governo socialista tentam impedir passagem de ônibus com legisladores em Sófia, Bulgária

Vídeo: Homem sobe em palanque e aponta arma para político búlgaro

Os protestos antigoverno que acontecem há 40 dias na capital escalaram na noite desta terça-feira quando centenas de manifestantes impediram a saída das autoridades do Parlamento em uma tentativa de depor o governo de esquerda.

Um ônibus chegou ao Parlamento para escoltar as autoridades, mas os manifestantes se recusaram a deixar o veículo partir, formando uma corrente humana e lançando pedras contra o veículo.

Os manifestantes gritaram "Assassinos" enquanto dezenas de policiais os empurravam para abrir caminho para o ônibus. Depois de uma hora, o ônibus teve de retornar ao prédio. Entre as vítimas dos choques estão algumas com ferimentos na cabeça.

Um total de 109 pessoas - incluindo três ministros, cerca de 30 legisladores, jornalistas e funcionários do Parlamento - continuam presas dentro do prédio, de acordo com a TV Nacional, que transmite os eventos ao vivo. Os manifestantes dizem estar determinados a manter o bloqueio até que suas reivindicações sejam atendidas.

O presidente Rosen Plevneliev emitiu uma declaração conclamando os manifestantes a manter os protestos "pacíficos e civilizados". Ele também fez um apelo para que a polícia não ceda à pressão e mantenha uma resposta pacífica às manifestações.

Maio: Centro-direita vence, mas deve ter dificuldade de formar governo

O governo apoiado pelos socialistas ficou em segundo em eleições antecipadas em maio e assumiu após a centro-direita fracassar em formar um governo. A votação antecipada ocorreu após a renúncia de um gabinete anterior em meio a protestos contra medidas de austeridade. O governo detém apenas 120 dos 240 assentos do Parlamento e tem de contar com o apoio tácito de um partido nacionalista.

A nomeação do controvertido magnata da mídia Delyan Peevski como chefe da agência de segurança nacional desatou um ultraje público e protestos diários desde 14 de junho. A nomeação foi imediatamente revogada, mas os manifestantes insistem que o governo é corrupto e precisa renunciar.

Pesquisas públicas recentes mostram que eles têm o apoio de cerca de dois terços da população de 7,3 milhões da Bulgária, que tem a menor renda da União Europeia.

*Com AP

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