Estudo de órgão, porém, constata que apoio ao corte ritual dos genitais de mulheres está em declínio no mundo

Mais de 30 milhões de meninas correm risco de ser submetidas à mutilação genital feminina (MGF) durante a próxima década, indicou nesta segunda-feira um estudo da Unicef. Segundo a pesquisa, mais de 125 milhões de meninas e mulheres vivas ainda hoje foram submetidas ao procedimento agora banido na maioria dos países onde antes era praticado.

NYT: Nos EUA, meninas africanas relembram dor da circuncisão

Menina queniana segura cartaz de protesto durante protesto contra mutilação genital feminina em Kilgoris (21/04/2007)
AP
Menina queniana segura cartaz de protesto durante protesto contra mutilação genital feminina em Kilgoris (21/04/2007)

OMS: Mutilação genital tem efeitos semelhantes a abuso sexual

O corte ritual dos genitais de garotas é praticado por algumas comunidades da África, do Oriente Médio e da Ásia na crença de que protege a virgindade. A Unicef pede ação para pôr fim à prática.

A pesquisa do Fundo para Crianças da ONU, descrito como o mais completo a já ser feito sobre a questão, descobriu que o apoio ao procedimento está em declínio entre homens e mulheres.

A MGF "é uma violação dos direitos das meninas à saúde, ao bem-estar e à autodeterminação", disse a vice-diretora executiva Geeta Rao Gupta. "O que fica claro desse relatório é que a legislação sozinha não é suficiente."

O relatório, "Mutilação Genital Feminina: Uma Análise Estatística e Exploração da dinâmina da mudança", foi divulgado em Washington D.C.

O estudo, que compilou dados de 20 anos de 29 países na África e no Oriente Médio onde a MGF ainda é praticada, descobriu que as meninas estão sob menos risco de ser submetidas ao procedimento do que eram há 30 anos.

Elas tinham um risco três vezes menor do que suas mães no Quênia e na Tanzânia, com os níveis tendo diminuído para quase metade em Benin, República Centro Africana, Iraque, Libéria e Nigéria.

Mas a MGF continua quase universal na Somália, Guinea, Djibuti e Egito, e houve pouco declínio perceptível no Chade, Gambia, Mali, Senegal, Sudão ou Iêmen, segundo o estudo.

Entretanto, o relatório aponta que a maioria das meninas e mulheres e um número significativo de garotos e homens opõem-se à prática. No Chade, Guinea e Serra Leoa mais homens e mulheres querem ver um fim para a prática.

"O desafio agora é deixar que meninas e mulheres, meninos e homens falem abertamente e anunciem que querem o fim dessa prática danosa", disse Rao Gupta.

O relatório recomenda que se abra a prática para uma investigação pública maior para que as atitudes sociais vinculadas a ela sejam desafiadas.

Em algumas comunidades, a MGA, também conhecida como circuncisão feminina, é vista como um ritual tradicional usado culturalmente para assegurar a virgindade e para aumentar as chances de casamento de uma mulher.

Tipicamente envolve procedimentos que alteram ou ferem os órgãos genitais femininos e frequentemente são realizados por circuncisadores tradicionais, que desempenham outros papéis centrais nas comunidades. Os riscos relacionados à MGF incluem hemorragia, problemas para urinar, infecção, infertilidade e maior risco de morte de recém-nascidos no parto.

*Com BBC

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