União Europeia declara braço militar do Hezbollah como grupo terrorista

Por iG São Paulo |

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Inclusão em lista negra representa grande mudança do bloco europeu em sua política para o Oriente Médio

A União Europeia (UE) colocou o braço militar do Hezbollah, grupo militante xiita libanês e partido político, em sua lista terrorista nesta segunda-feira em uma grande mudança política em relação ao Oriente Médio.

Ano passado: Europa tem poucas restrições em relação ao Hezbollah

AP
Líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, fala via vídeo durante conferência em subúrbio no sul de Beirute, Líbano (foto de arquivo)

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Os 28 ministros de Relações Exteriores da UE alcançaram a decisão de forma unânime em sua reunião mensal, rapidamente convencendo as nações que haviam expressado oposição ao se comprometer com a continuação do diálogo político com Beirute.

A ação surgiu após uma prolongada pressão política dos EUA, da Holanda e de Israel, que consideram o Hezbollah uma organização terrorista.

"A UE está enviando uma mensage forte ao Hezbollah de que não pode operar com a impunidade e há consequências para suas ações", disse o secretário de Estado americano, John Kerry, em uma declaração.

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O Reino Unido também pressionou pela ação da UE, citando um ataque terrorista no ano passado em Burgas, resort da Bulgária no Mar Negro, que deixou ao menos cinco turistas israelenses e um búlgaro mortos. O braço militar do Hezbollah foi acusado de envolvimento, uma alegação que o grupo nega.

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Em março, uma corte criminal no Chipre acusou um membro do Hezbollah de ajudar a planejar ataques contra israelenses na ilha mediterrânea. A Bulgária e o Chipre são membros da UE.

"A UE enviou uma mensagem clara que se mantém unida contra o terrorismo", disse o chanceler britânico, William Hague. "Isso mostra que nenhuma organização pode lançar atos terroristas em território europeu."

O chanceler alemão, Guido Westerwelle, enfatizou a unidade europeia. "Se um ataque é lançado contra um de nossos países, há uma resposta de todos nós."

A lista negra pode levar ao congelamento de bens e abre caminho para possíveis proibições de viagens contra membros do braço militar do Hezbollah. Os ministros também esperam que corte o envio de fundos ao grupo.

Mas a implementação promete ser complicada já que as autoridades terão de decifrar os vínculos entre os diferentes braços dentro da rede organizacional do Hezbollah e verificar quem poderia ser alvo por pertencer ao braço militar.

Na tarde desta segunda, os diplomatas trabalhavam para localizar as entidades e organizações que compõem o braço militar. Por causa dessa incerteza legal, não está claro quantos bens poderiam estar envolvidos e quantos indivíduos poderiam eventualmente ser enfatizados.

O Hezbollah, uma organização altamente secreta, não fala sobre seus negócios fora do Líbano. Analistas e autoridades próximas ao grupo dizem não haver indicações de que ele tenha bens significativos na Europa e, se teve, foram retirados antes da decisão desta segunda.

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O grupo apoiado pelo Irã desempenha um papel crucial no Líbano, dominando o governo desde 2011. Desde então tem enviado seus membros para reforçar as forças do presidente sírio, Bashar al-Assad, em suas ofensivas nas áreas rebeldes.

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A votação da UE desatou preocupações no Líbano de que a decisão afetaria o financiamento do bloco para o país, mas o chanceler francês, Laurent Fabius, disse que o auxílio econômico continuaria.

O primeiro-ministro em fim de mandato Najib Mikati expressou desapontamento com a ação do bloco, dizendo: "Gostaríamos que os países da UE tivessem realizado uma leitura mais cuidadosa dos fatos."

Mesmo antes da decisão desta segunda, grupos de auxílio reclamaram que os governos europeus relutavam a doar fundos para ajudar o Líbano a lidar com o fluxo em massa de refugiados da guerra civil síria por causa do predomínico do Hezbollah no governo libanês.

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O secretário de Estado dos EUA disse que a medida da UE "teria um impacto significativo na habilidade do Hezbollah de operar livremente na Europa ao possibilitar às agências de segurança do bloco reprimir o financiamento, a atividade logística e a conspiração terrorista em solo europeu".

Israel também deu as boas-vindas à decisão europeia. O país travou uma amarga guerra de um mês com o Hezbollah em 2006 e acusou o grupo de lançar ataques contra alvos judeus e israelenses ao redor do mundo. O Hezbollah negou envolvimento em alguns e não fez comentários em relação a outros.

*Com AP

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