Obama: Trayvon Martin, jovem negro morto no ano passado, 'poderia ter sido eu'

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Líder diz ser importante contextualizar reação à absolvição de acusado, dizendo que também foi alvo de preconceito

Procurando lições positivas da morte a tiros de Trayvon Martin, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta sexta-feira que o país precisa fazer uma reflexão para buscar formas de estimular o desenvolvimento de meninos negros e examinar se as leis estaduais e municipais encorajam o tipo de violência que aconteceu na Flórida.

EUA: Absolvição de acusado de matar jovem negro provoca protestos

AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, fala na Casa Branca, em Washington

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"O que faremos com isso?", indagou Obama em voz alta em uma aparição não programada em uma sala da Casa Branca. "Como aprendemos algumas lições disso e adotamos uma direção positiva?"

No ano passado, o vigia George Zimmerman foi acusado de matar Martin, de 17 anos, na cidade de Sanford, na Flórida. O jovem negro voltava de uma loja de conveniência quando Zimmerman começou a segui-lo. Minutos depois, os dois começaram a brigar e o vigia sacou sua arma e disparou. Assim como logo após o caso, a absolvição de Zimmerman desatou protestos na Flórida.

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Obama, que em 2012 disse que, se fosse seu filho, o garoto pareceria Martin, nesta sexta-feira desenhou uma conexão ainda mais pessoal, dizendo que "Trayvon Martin poderia ter sido eu há 35 anos".

De acordo com Obama, enquanto a população processa o veredicto de Zimmerman, é importante contextualizar a reação de raiva de muitos negros do país. Protestos e manifestações, afirmou, são compreensíveis. "É importante reconhecer que a comunidade negra observa essa questão por meio de várias experiências e de uma história que não ficaram para trás", disse.

Ele disse que a desconfiança persegue os negros, que algumas vezes eles são seguidos de perto quando fazem compras em lojas de departamento, que podem atrair olhares nervosos dentro de elevadores, podem ouvir carros sendo trancados quando caminham pela rua - experiências que ele pessoalmente sentiu antes de se tornar uma figura conhecida. "É impossível para as pessoas não trazerem à tona essas experiências", afirmou.

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Segundo o presidente, chegou o momento "para todos fazermos uma reflexão". Por outro lado, ele fez a ressalva de que as relações raciais nos EUA na verdade estão ficando melhores. Obama disse que, quando observa as interações entre suas filhas e seus amigos, vê que elas são "melhores do que somos. Melhores do que fomos".

O caso amplamente acompanhado nos EUA levou a discussões sobre raça e sobre as leis de legítima defesa americanas. Obama, o primeiro presidente negro eleito nos EUA, raramente fala sobre raça. O líder evitou entrar no mérito das questões legais sobre o caso, dizendo: "Quando o júri se pronuncia está decidido. É assim que nosso sistema funciona."

Mas ele afirmou que leis estaduais e locais precisam ser atentamente avaliadas. Segundo o líder americano, seria útil "examinar se algumas legislações são elaboradas de tal forma que possam encorajar o tipo de confronto" que levou à morte de Martin. Ele questionou se uma lei que envia a mensagem de que alguém com porte de armas "tem o direito de usá-las mesmo se tenha uma forma de evitar uma situação" realmente promove a paz e a segurança que as pessoas querem.

A aparição de Obama marcou seus primeiros comentários extensos sobre o caso desde que Zimmerman foi absolvido no fim de semana passado da acusação de assassinato. Para os jurados, o vigia, que se identifica como hispânico, agiu em legítima defesa quando disparou contra o adolescente negro.

O secretário Eric Holder disse que seu Departamento de Justiça tem uma investigação aberta sobre o caso, avaliando se Zimmerman violou os direitos civis de Martin.

*Com AP

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