Promotoria pediu soltura enquanto tramita recurso e para que Alexei Nalvany possa participar de eleições municipais

A Rússia inesperadamente libertou o líder de oposição Alexei Navalny sob pagamento de fiança nesta sexta-feira, soltura que ele atribuiu à pressão de milhares de manifestantes que consideraram sua condenação a cinco anos de prisão uma tentativa do presidente Vladimir Putin de silenciá-lo.

Cinco anos de prisão:  Rússia condena líder de oposição Navalny 

Líder da oposição russa Alexei Navalny abraça sua mulher, Yulia, depois de ser solto em uma sala judicial em Kirov, Rússia
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Líder da oposição russa Alexei Navalny abraça sua mulher, Yulia, depois de ser solto em uma sala judicial em Kirov, Rússia

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Em uma decisão que aponta para a incerteza do Kremlin sobre como lidar com o caso de Navalny e os protestos, um juiz aprovou um pedido incomum da acusação para libertá-lo enquanto ele aguarda o resultado de um recurso e para que possa participar da eleição para a prefeitura de Moscou em setembro.

A medida foi vista como uma tentativa de amenizar o ultraje público e colocar um verniza de legitimidade em uma votação que deve ser vencida por um candidato apoiado pelo Kremlin.

O líder de movimentos ativistas contra a corrupção ficará restrito a Moscou, mas considerou a decisão uma vitória para o poder do povo, um dia após ter sido condenado por roubo.

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"Sou muito grato a todos que nos apoiaram, todos que foram (protestar) na Praça Manezh (em Moscou) e em outras praças", disse Navalny, de 37 anos, que correu para abraçar a mulher depois que foi solto de uma cela de vidro dentro do tribunal.

"Nós entendemos perfeitamente o que aconteceu agora. É um fenômeno absolutamente singular na Justiça russa", disse no tribunal de Kirov, uma cidade industrial localizada a 900 km a nordeste de Moscou.

Manifestantes foram às ruas das grandes cidades russas para protestar na noite de quinta-feira, após Navalny ter sido condenado sob a acusação de roubar pelo menos 16 milhões de rublos (US$ 494 mil) de uma madeireira quando era conselheiro do governador da região de Kirov, em 2009.

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A polícia disse que mais de 200 pessoas foram detidas em São Petersburgo e Moscou, embora não tenha havido grandes confrontos.

Navalny diz que o caso teve motivação política, com o objetivo de impedi-lo de ameaçar Putin politicamente, apesar de o apoio ao líder de oposição ser limitado fora das grandes cidades. Pesquisas de opinião mostram que o presidente ainda é o político mais popular da Rússia.

*Com Reuters e AP

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