EUA apresentam opções para retomada de negociações entre Israel e palestinos

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel |

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Detalhes de plano para diálogo elaborado por secretário de Estado americano devem ser conhecidos em breve

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, ofereceu várias opções para retomada das negociações entre israelenses e palestinos. Há grande interesse de ambos os lados. Kerry recomenda a Israel prestar muita atenção no plano de paz da Liga Árabe. É possível que detalhes, preservados até agora, sejam dados a conhecer a qualquer momento.

Em meio à tensão regional: EUA pressionam por paz entre Israel e palestinos

AP
Presidente palestino, Mahmud Abbas, participa de enncontro com liderança palestina na cidade cisjordana de Ramallah (18/07)

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É óbvio que uma solução da questão palestina é fundamental para os israelenses. Na verdade, só existem duas opções: a viabilização da ideia de dois países independentes ou um único Estado binacional. Ao tentar manter Israel como Estado judeu-democrático, chega-se à conclusão de que a segunda opção é inviável, pois os árabes logo seriam majoritários numericamente e, pelos meios do sistema eleitoral, se perderia o caráter judaico existente. Outra opção seria algum regime em que uma minoria dominaria uma maioria, o que não é mais viável nos dias de hoje.

Toda essa região do Oriente Médio esteve sob domínio dos turco-otomanos por cerca de 500 anos. O califa, que vivia em Istambul, foi derrotado na Primeira Guerra Mundial juntamente com o Império Austro-Húngaro e a Alemanha pelos Aliados Ocidentais. Depois foi transformada, numa decisão da Liga das Nações, em múltiplos países.

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Foi assim que ganhou força a ideia do ressurgimento de Israel. Nas Nações Unidas, em 1947, votou-se a divisão do que restava da Terra Santa em dois Estados: árabe e judeu. Os primeiros rejeitaram a solução. Os segundos declararam sua independência. Foi quando surgiu a figura do refugiado palestino. Anos antes, havia coexistência via imposição britânica.

Tenta-se encontrar até hoje uma solução por meio de negociações a um conflito ainda sem fim entre Israel e os palestinos. Muita coisa mudou no mundo desde a formação de Israel. Existe um pequeno Estado judeu altamente poderoso em termos militares, econômicos e científicos, convivendo com a permanente ameaça de um confronto decisivo com o mundo árabe, que não deseja a continuação desse quadro. Só havendo um entendimento pacífico será possível tranquilizar os povos desta região.

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Uma nova grande guerra não é do interesse de nenhuma das grandes potências. Os custos humanos de destruição seriam inimagináveis. Sem a solução da questão palestina, o conflito pode acontecer já que, em um mundo de armas já existentes, podem acontecer tragédias como resultado de descontroles.

Ao que consta, a proposta americana ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, para voltar a negociar a paz com Israel de modo definitivo inclui recompensas suficientes para o nascimento de um Estado palestino democrático, alcançando rapidamente desenvolvimento e prosperidade.

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A maioria do povo palestino e dos israelenses está cansada de guerras e quer boa vida, que é alcançável. Os obstáculos principais têm sido o radicalismo de movimentos islamitas, como Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Irmandade Muçulmana, que desejam um Oriente Médio sob a sharia, Lei Religiosa Islâmica. Do lado israelense, existe a oposição da extrema direita política, que considera poder sustentar a atual situação de Israel até que ela se torne sem concessões.

Ambos são minoritários em suas respectivas regiões, mas, sem que se chegue a um acordo de paz entre o Estado judeu e a Autoridade Palestina, não haverá tranquilidade. E existirá sempre a hipótese do retorno do terrorismo, que até agora não foi inteiramente derrotado, apesar do grande esforço das nações ocidentais e de Israel.

*Com colaboração de Nelson Burd

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